Como a Amazon pode conquistar e 'arrasar' a indústria de games

Foto: STEPHANE DE SAKUTIN/AFP via Getty Images

A Amazon passou a ser oficialmente uma empresa de jogos e isso deve preocupar os principais fornecedores do setor, como Nintendo, Microsoft e Sony, além dos novatos como o Google.

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A Amazon já disponibilizava conteúdos de jogos pela loja online e pela famosa plataforma de streaming Twitch, mas agora, na última semana, a empresa lançou seu primeiro título de grande orçamento, um jogo gratuito chamado "Crucible".

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Ainda este ano, a Amazon vai lançar outro jogo, chamado "New World", e tudo isso aparentemente aponta para o lançamento de um serviço de jogos na nuvem chamado Project Tempo. 

Se tiver sucesso, a Amazon, que busca dominar todos os setores em que entra com uma eficiência implacável, pode se tornar um novo peso-pesado dos jogos, o que seria um problema para a velha-guarda desse ramo.

O teste do Crucible

A Amazon já é uma parte importante do setor de jogos desde 2014, quando desembolsou quase US$ 1 bilhão para comprar o serviço de streaming de jogos on-line Twitch, a plataforma ideal para gamers que querem ver seus streamers favoritos jogando de tudo um pouco, de jogos antigos até os sucessos mais recentes.

De lá, saíram nomes conhecidos como o streamer Ninja, que jogou "Fortnite" com o rapper Drake e atraiu mais de 600 mil espectadores simultâneos, superando o recorde anterior de 388 mil espectadores. Essa plataforma também se tornou uma ferramenta de marketing importante para os editores de jogos, que enviam seus títulos mais recentes para os streamers do Twitch mostrarem a milhões de clientes em potencial.

Além de tudo isso, a Amazon já é o destino mais procurado para a compra de jogos e consoles, e também é dona do serviço Twitch Prime, que oferece aos assinantes acesso a itens especiais dentro dos jogos e títulos gratuitos todos os meses.

No entanto, o "Crucible" será o teste mais importante da Amazon. O jogo, que é um híbrido entre alguns games on-line bem conhecidos, incluindo "League of Legends" da Riot e "Overwatch" da Activision Blizzard, é o primeiro título AAA do Relentless Studios, da Amazon Games, em Seattle.

A empresa tem mais duas produtoras: a Amazon Games San Diego e a Amazon Games Orange County.

A Amazon está seguindo o caminho dos jogos gratuitos com o "Crucible", com a expectativa de ganhar dinheiro através de transações dentro do jogo, de forma semelhante ao "Fortnite" ou "Call of Duty: Warzone". É uma fórmula que dá certo, já que só o "Fortnite" faturou bilhões de dólares para a Epic Games.

Amazon Crucible

No entanto, para ter sucesso, o "Crucible" precisa ser capaz de atrair uma grande quantidade de jogadores e atingir uma massa crítica que faça a popularidade dele disparar. O jogo já está sendo transmitido no Twitch, mas não está entre os títulos mais assistidos, apesar do lançamento na terça-feira.

Outros títulos como "Grand Theft Auto V", "League of Legends", "Fortnite" e "Valorant", um jogo que está na versão beta fechada e, portanto, não está disponível para a grande maioria dos jogadores, atraem muito mais espectadores.

Mas isso não significa que "Crucible" não possa ganhar força e ficar entre os jogos mais assistidos. Além disso, esse não é o único título que a Amazon vai lançar este ano.

A empresa também está desenvolvendo um RPG on-line para uma grande quantidade de jogadores (MMORPG) chamado "New World", que será lançado em agosto. A Amazon também está trabalhando em um jogo baseado na franquia "O Senhor dos Anéis", que pode atrair os inúmeros seguidores dessa marca.

Rumo à nuvem

Embora os estúdios de jogos da Amazon possam chegar a ter muita importância, a maior ameaça da empresa para o setor é a plataforma de jogos na nuvem, o Project Tempo. O serviço, que permitiria jogar em qualquer dispositivo, colocaria a Amazon no comando dos canais que os jogadores usam para colocar os jogos nos smartphones, tablets, laptops e TVs.

No entanto, os jogos na nuvem ainda estão engatinhando. O Google lançou um serviço próprio, o Stadia, em novembro de 2019, mas recebeu críticas mornas porque o catálogo de jogos era muito limitado em comparação com os consoles tradicionais de empresas como Microsoft, Nintendo e Sony.

A plataforma do Google também parecia ter sido feita às pressas apenas para que a empresa fosse a primeira a lançar algo do tipo no setor de jogos na nuvem. Por isso, faltaram vários recursos importantes no lançamento, incluindo um nível gratuito, lançado apenas em abril.

A Amazon parece estar na melhor posição para aproveitar o domínio do mercado e ganhar importância no espaço de jogos na nuvem. A empresa tem os servidores Amazon Web Services (AWS) posicionados no mundo todo, o que pode permitir que os usuários de vários países joguem sem lentidão.

No entanto, a Amazon tem dois problemas a enfrentar: a Microsoft e a velocidade da Internet dos consumidores. A Microsoft é a segunda empresa mais importante no espaço da nuvem e também está trabalhando em uma plataforma de jogos nesse ambiente, chamada Project X Cloud. Combinado com o Xbox Game Pass da Microsoft, que dá acesso a mais de 100 jogos por uma taxa mensal, esse serviço será uma oferta muito atraente.

A Microsoft também tem o pedigree, o catálogo de jogos, as relações com o setor e o reconhecimento necessários para que o X Cloud seja uma plataforma de jogos bem-sucedida.

A Amazon e todos os fornecedores de jogos na nuvem também precisam encarar o fato de que, para que esse serviço decole, os jogadores precisam que a conexão de Internet em suas casas seja capaz de transmitir dados com rapidez suficiente para evitar atrasos. Até mesmo um milissegundo de interrupção em um jogo pode significar a diferença entre uma experiência excelente ou terrível.

Se a internet dos jogadores não for capaz de processar os jogos em nuvem, isso será um enorme obstáculo para as ambições da Amazon.

Ainda assim, é muito difícil descartar Jeff Bezos e companhia em qualquer setor. Além disso, com o AWS servindo como possível catalisador para a decolagem do Project Tempo, a Amazon poderia ser uma grande ameaça para o restante da indústria.

Daniel Howley

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