Como a impulsividade atrapalha o jovem com as finanças?

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A impulsividade não é um problema só dos jovens. Pessoas de todas as idades demonstram comportamentos impulsivos com as finanças, desde as já famosas compras por impulso até investimentos mal planejados, feitos com base em informações duvidosas ou “dicas quentes” de conhecidos.

Um dos fatores que desencadeia este descontrole é a pressão do dia a dia. Pelo menos 36% dos consumidores declaram que recorrem às compras para aliviar o estresse. As mulheres são o maior percentual que compram por impulso quando estão deprimidas (30,5% contra 18,3% dos homens). Quanto à faixa etária, os jovens são os mais entusiasmados (41,8% contra 19,6% das pessoas acima de 55 anos). Como consequência, 40% estão ou já estiveram com o nome sujo por extrapolar nas dívidas, de acordo com uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

Segundo André Massaro, consultor financeiro e autor do livro “Dinheiro é um santo remédio”, o jovem tem uma vulnerabilidade maior às consequências das decisões impulsivas por uma razão muito simples: ele tem, geralmente, menos dinheiro. Então, o efeito das decisões financeiras ruins acaba sendo “amplificado” e o estrago é maior. Afinal, dificilmente ele terá uma reserva financeira para repor o prejuízo.

Para o especialista, o principal investimento que um jovem pode e deve fazer é investir em sua “capacidade de gerar dinheiro”. Ou seja, investir em educação, formação e experiências que darão subsídios para se ganhar cada vez mais no futuro.

“Naturalmente, é importante investir dinheiro. Quando se é jovem, há uma excelente oportunidade de fazer investimentos um pouco mais arriscados, com foco em prazos mais longos, como ações e títulos de longo prazo. Porém, mais importante que investir o dinheiro é investir na capacidade de ganhar dinheiro. O foco deve ser no sucesso profissional”, afirma Massaro.

Os jovens devem se preocupar não apenas em buscar o crescimento profissional, como também ficar atentos a comportamentos que possam atrapalhar o desenvolvimento de sua carreira.

Entre os erros mais comuns estão: dívidas grandes e de longo prazo para aquisição de bens de alto valor, como carros e imóveis, que provavelmente não atenderão às necessidades dele no futuro, relacionamentos “furados”, que possam levar a arranjos familiares precipitados e não planejados, comprometendo, às vezes de forma irreversível, seu progresso profissional e financeiro. Além de outras escolhas e decisões que “fazem todo o sentido” no curto prazo, mas destroem as perspectivas futuras.

“De uma forma geral, muitos jovens acabam não olhando para o futuro com a devida seriedade e subestima as consequências que terão das decisões tomadas no momento presente”, conclui Massaro.

Por Daiane Brito