Como as criptomoedas têm invadido o futebol

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Criptomoeda oficial da Seleção Brasileira de Futebol (Foto: Divulgação)

Fora dos campos, a criação e introdução de itens como as criptomoedas, fan tokens e NFTs tem permeado diferentes mercados e o futebol não ficou imune. A seleção brasileira, por exemplo, acordou uma parceria com a blockchain turca Bitci Technology para o lançamento de uma criptomoeda oficial e de NFTs (tokens não fungíveis). Em nível nacional, clubes como Atlético-MG, Corinthians, Flamengo e Vasco também já exploram este mercado. A nível individual, lendas do esporte como Ronaldo Fenômeno, já aposentado, está investindo nos cripto-ativos, enquanto outros, como o argentino, Lionel Messi, recebe parte do seu salário já nesta nova modalidade em seu contrato com o PSG.

Na Europa, essencialmente todos os gigantes do velho continente aproveitaram a oportunidade para criação dos cripto-ativos umas vez que além do baixo investimento gera mais uma forma do torcedor e sócio interagirem com o clube. “eu acho que é uma maneira de atravessar a situação, que se arrasta desde antes da pandemia, eu acho que representa uma forma criativa de enfrentar o problema sem prejudicar o esportivo ou recorrer ao poder público” pontua Allan Augusto Gallo Antonio, analista do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

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Uma criptomoeda própria do clube, por exemplo, estariam do lado dos tokens fungíveis, ou seja, intercambiáveis. Algumas das formas de uso oferecem oportunidades para que o torcedor compre ingressos, faça upgrades de benefícios e tenha um desconto em produtos em caso de compra via criptomoeda. “é uma mudança de paradigma, as relações antes eram reduzidas a ser sócio do clube, mas agora você tem mais opções de interação e processos decisórios dos times. Você pode pensar em escalão, cores do time e músicas a serem tocadas”, comenta Allan.

Já do lado dos NFTS (tokens não fungíveis) uma vez adquiridos eles não podem ser trocados. Alguns exemplos são itens digitais como cards colecionáveis envolvendo jogadores do atual elenco do clube.

Ainda que uma nova experiência, os cripto-ativos foram incluídos com maior vigor nos esportes do que em quase qualquer outra modalidade profissional. Para o diretor de participações comerciais da Fórmula 1, Ben Picus isso se deve por conta do impacto financeiro que a pandemia teve nos clubes e marcas esportivas: Mais do que oportunismo, eu acredito que isso foi feito, e bem feito, por conta da pandemia que deixou os esportes de joelho, precisando encontrar dinheiro de onde pudesse tirar”, opinou em entrevista ao Financial Times.

Nessa transação, no entanto, não há apenas o lado dos clubes, mas também dos fãs. Há quem se oponha a este tipo de transação.A organização dos torcedores do clube inglês Leeds Uniteds, LUST (Leeds United Supported Trust), por exemplo, soltou uma nota condenando a recém anunciada fan token de seu clube: “Tokens baratos podem ser justificados como uma forma divertida e de baixo risco de interagir, no entanto, os fãs podem ser persuadidos a levar a lealdade a novos níveis”.

Além da preocupação da exploração da ligação afetiva dos torcedores com seus clubes, a LUST lembra também que a regulação das criptomoedas ainda está em processo de definição. “Os fãs também serão obrigados a entrar em um ecossistema de criptomoedas; algo que muitos podem ter muito pouco conhecimento. Se o futebol decidir trazer criptomoedas não regulamentadas para o jogo, acreditamos que os clubes também precisam fornecer educação e orientação sobre a finalidade e os riscos associados”. Além do órgão ligado ao Leeds, na Inglaterra, outros dois grandes clubes que tiveram organizações de torcedores se posicionando contra os fans tokens foram as do Arsenal e Westham.

Para Allan Augusto que também é advogado e mestre em economia, “a tokenização é um caminho sem volta os criptoativos vieram pra ficar”, argumenta, “Eu vejo uma possibilidade grande disso para serviços públicos pois a blockchain facilita os processos garantindo segurança e eliminando a burocracia”.

Allan dá ênfase ao papel das blockchains no processo de segurança dos criptoativos. “É uma espécie de livro de registros online público e de certa forma anônima. Essa transação só acontece quando é validada por outros usuários que estão fazendo o registro dessa operação”. Além disso, ele comenta que é importante que qualquer iniciativa esportiva ligada a criptomoedas escolha projetos já consolidados ao invés de se arriscar em novas iniciativas “enquanto os times optarem por plataformas robustas de cripto como tem sido com a Ethereum (como fizeram Atlético-MG e Corinthians) eu acredito que não irão haver problemas”.

Os cripto-ativos apresentaram durante a pandemia uma fonte de renda alternativa para os clubes de futebol, mas também trouxeram à tona preocupações legítimas sobre as relações de torcedor e clube, a possibilidade de o jogador ser remunerado nessa modalidade, questões de regulamentação de cripto-ativos e de qual o nível de envolvimento e o Estado precisa ter neste momento. Vale ressaltar que o futebol não o único esporte a abrir suas portas para as cripto-moedas, outros esportes como basquete, futebol americano e a Fórmula-1 também estão fortemente envolvidos com os cripto-ativos.

“Essa resistência que é tão própria da nossa natureza. É semelhante a quando começou o cartão de crédito, o cartão de aproximação, operações de banco online. Novas tecnologias sempre encontram resistência”, diz Allan Augusto Gallo Antonio. “Eu particularmente acredito que isso é positivo e inevitável”.

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