Como os brasileiros veem o papel da Justiça Eleitoral a poucos meses da eleição

Marcadas por suspeições levantadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o funcionamento das urnas eletrônicas, as eleições de 2022 funcionarão como um grande teste para a Justiça Eleitoral. A pesquisa anual “A cara da democracia” investigou diferentes opiniões dos brasileiros sobre a entidade que controla a eleição. De acordo com o levantamento, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os tribunais regionais eleitorais (TREs) são considerados “muito importantes para a democracia brasileira” por dois terços dos entrevistados. Seus índices de confiança superam também os da população em outras instituições relevantes — ainda que a sondagem revele sinais de ceticismo.

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De acordo com a pesquisa, 66% afirmaram, ao responderem sobre a função da Justiça Eleitoral para a democracia no país, que a consideram “muito importante”. A soma dos que afirmaram que os órgãos eleitorais são pouco ou nada importantes ficou em 29%.

A meses de eleições em que a própria defesa da democracia vem sendo mais ressaltada frente a ataques políticos, os números podem até sinalizar mais prestígio da Justiça Eleitoral. Entretanto, outros dados do levantamento analisados pelo Pulso mostram que há outras facetas importantes e que podem trazer sinais de alertas para as instituições.

A avaliação da atuação da Justiça Eleitoral como “ótima” ou “boa” (somadas) é de um terço dos entrevistados: 32%. São números superiores, mas nem tanto, do que a de “ruim” e “péssima”, que fica em 23%.

Por outro lado, a percepção de sua neutralidade e imparcialidade revela sinais de desconfiança: 39% entendem haver interferências na atuação dos órgãos eleitorais. Se somado à fatia que diz que a Justiça Eleitoral atua “no interesse” de políticos, ricos e poderosos (31%), um nível de ceticismo em relação à independência destas instituições chega a 70%.

Maior confiança em comparação com STF, partidos e Congresso

Ainda que os números de confiança na Justiça Eleitoral não sejam inequívocos, é possível perceber que há maior reconhecimento nessa entidade se comparada com outras instituições centrais para a democracia brasileira: 22% afirmam confiar “muito” no TSE e nos TREs, frente a 33% que dizem confiar “mais ou menos”. Se estes dois resultados alcançam juntos 55%, os mais céticos chegam a 44% — somados os que “confiam pouco” e os que “não confiam”.

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No total, como o Pulso publicou neste mês, 69% indicaram algum grau de confiança na instituição responsável por conduzir o processo eleitoral. Os números são maiores que aqueles registrados em relação ao Supremo Tribunal Federal (57%), o Congresso (51%) e os partidos políticos (46%). A parcela de 22% dos que confiam muito na Justiça Eleitoral também está bem acima daquela das demais instituições — 13% têm plena confiança no STF; no Congresso, são 6%; e, nos partidos, 5%.

A pesquisa “A cara da democracia” foi feita pelo Instituto da Democracia (INCT/IDDC), com 2.538 entrevistas presenciais em 201 cidades. A margem de erro total é de 1,9 ponto percentual a nível nacional, e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa reúne as universidades UFMG, Unicamp, UnB e Uerj, com financiamento de CNPq e Fapemig, e está registrada no TSE (BR-08051/2022).

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