Como especialistas vão passar mais um fim de ano de Covid

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.09.2021 - Still de mão segurando uma máscara facial, para prevenção ao novo coronavírus. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 17.09.2021 - Still de mão segurando uma máscara facial, para prevenção ao novo coronavírus. (Foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Já imaginou um fim de ano livre da Covid? Infelizmente, não vai ser neste Natal e Ano-Novo. Mas, ao mesmo tempo, a situação está melhor do que nas festas de fim de ano de 2020 e é possível encontrar familiares e amigos para pequenas reuniões. Pequenas, reforçam os especialistas.

Como uma espécie de tradição natalina/de fim de ano pandêmica, a Folha perguntou a especialistas como eles passarão o fim de ano e o que é seguro ou não fazer.

E a resposta foi um pouco diferente da de 2020, quando a maior parte afirmou que ficaria em casa, só com pessoas com quem convivem diariamente.

Em 2021, pode, sim, reunir pessoas queridas. Mas pontos de segurança devem ser levados em conta. Está liberado se encontrar, mas é preciso um pouco de calma porque a pandemia não acabou.

No Brasil, as médias móveis de óbitos e casos têm se mantido, em geral, estáveis, com diminuições recentes que levaram a menos de 200 vidas perdidas por dia. Mas diversos estados vêm apontando dificuldades para registrar dados de mortes, infecções e vacinas, desde que um ataque cibernético afetou o sistema do Ministério da Saúde, no dia 10 deste mês. A situação até agora não foi normalizada.

A vacinação tem tido um desempenho bom no país, com mais de 87% da população adulta já com o esquema vacinal primário completo.

O problema no momento, porém, chama-se ômicron.

A variante, já com transmissão comunitária em São Paulo, espalhou-se por diversos países e vem provocando recordes de casos nas nações, como no Reino Unido.

"Pode haver, sim, um aumento de casos", diz Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz.

Agora que você já relembrou o contexto, começam as regrinhas para o seu fim de ano ser mais seguro.

Primeira regra: vacinas

O governo federal não quer cobrar passaporte da vacina, mas você, na sua casa, pode exigir. Os especialistas ouvidos pela Folha são unânimes nesse ponto: encontro de fim de ano só com vacinados.

Afinal, por mais que haja uma diminuição da efetividade das vacinas frente à ômicron, a fuga vacinal não é total. Então, os imunizantes ainda oferecem proteção.

"O ideal é que as pessoas primeiro se garantam com vacina: todos vacinados. É o primeiro grande mandamento", diz Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital Emílio Ribas e do Hospital Albert Einstein, e secretário de saúde do estado de São Paulo.

Além disso, com a nova cepa do Sars-CoV-2, a dose de reforço que já vinha sendo aplicada em populações mais frágeis, como idosos (pela possível diminuição da proteção da vacina após cerca de seis meses), passou a ser uma ideia oportuna para toda a população. Dessa forma, é melhor ainda caso os participantes da sua comemoração (pequena, sempre vale lembrar) estejam reforçados, afirma Dalcolmo.

Segunda regra: testes

Os especialistas ouvidos afirmam que testes antes do encontro oferecem uma camada a mais de segurança.

Vitor Mori, físico e pesquisador na Universidade de Vermont (EUA), afirma que irá passar as festividades com poucas pessoas (dois núcleos familiares) em Boston, cidade para a qual terá que se deslocar.

"Cinco dias antes de viajar para Boston a gente vai ficar mais em casa, trabalhar de casa, se tiver que sair, sempre usando uma máscara PFF2. E a gente pretende fazer testes de antígeno em casa", diz o pesquisador. "Então, todos os dias, a gente vai fazer um teste rápido de antígeno para garantir que não vamos estar infectados no dia da viagem."

O ideal, segundo especialistas, é fazer o teste relativamente próximo ao momento do encontro, pelo menos 24h ou no dia do encontro. "A gente sabe que esses testes rápidos de antígeno são muito bons para detectar cargas virais mais altas, que indicam momentos onde você tem o maior potencial de transmissão", diz Mori.

"Se eu tiver pessoas vacinadas, assintomáticas, testadas e negativas, eu julgo que é o suficiente para a gente poder fazer uma confraternização responsável", afirma a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, que vai reunir sua família este ano, ao contrário do que aconteceu no ano passado.

Terceira regra: máscaras e áreas ventiladas

Vacinas, testes e ainda precisa de máscara? Bom, é preferível garantir do que ter que lidar com problemas depois.

O afastamento que a pandemia causou transforma o Natal em uma situação de risco, diz Gorinchteyn. "As pessoas estão muito entusiasmadas para esse momento de comemoração. E comemorar significa rir, brindar, comer, se abraçar e talvez elas se esqueçam um pouquinho das máscaras. Isso pode ser um problema."

Mas, logicamente, diz Mori, esse é um momento em que a adesão às máscaras acaba sendo difícil, principalmente pelos eventos de fim de ano ocorrerem, tradicionalmente, em torno de mesas com comida.

E aí entra a importância da confraternização ser realizada em um ambiente aberto ou bem ventilado.

"Nada de festa grande, com aglomeração de pessoas, festa em clube, lugar fechado, com todo mundo dançando junto, cantando, se abraçando. Isso ainda não dá para fazer", afirma Natalia Pasternak, pesquisadora da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência.

Mas mesmo com reuniões em locais bem ventilados, a máscara ainda não deve ser esquecida. Acabou de comer? Coloca a máscara. "É chato, mas, pelo menos, é uma garantia de que a comemoração continue", afirma Gorinchteyn.

A máscara se torna ainda mais importante no momento de abraços, mesmo ao ar livre, segundo Mori. "No momento de contato próximo, face a face por um período prolongado, que é onde a gente tem, sim, o risco de transmissão ao ar livre, vale utilizar uma máscara", afirma. "E prestando muita atenção na qualidade da máscara, de preferência uma PFF2, e garantindo que ela está bem vedada ao rosto."

Segundo Richtmann, os planos de fim de ano poderiam mudar caso ocorresse uma epidemia de algum outro vírus de fácil transmissão, como influenza. "Sabendo que eu tenho pessoas mais vulneráveis na família, se de fato a gente tiver uma epidemia, uma alta circulação e colocar qualquer pessoa sob risco, eu mudaria meus planos", diz.

O problema é que diversos estados do país passam por uma epidemia fora de época da influenza H3N2, provocada pela variante Darwin, para a qual a vacina atual contra a gripe não está preparada, ou seja, possui, possivelmente, pouco efeito contra. Mais um elemento para prestar atenção.

Além de todos esses cuidados e de levar em consideração a epidemia de influenza --especialmente se a festa contar com pessoas mais vulneráveis à doença, como idosos e imunossuprimidos--, pessoas que estejam com sintomas, tendo ou não resultado negativo de teste para Covid, não devem ir ao evento.

"Dor de garganta, nariz escorrendo, um espirro a mais. Não compareça", diz Raquel Stucchi, professora da Unicamp e consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

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