Como está a busca do Fluminense para ter reconhecida a Copa Rio, que faz 70 anos, como Mundial de Clubes

O reconhecimento da Copa Rio como título mundial é sempre um tema polêmico nas redes sociais, mas tratado com orgulho pelo Fluminense — e pelo Palmeiras, claro. Campeão do torneio em 1952, que completa 70 anos nesta terça-feira, o tricolor não tem dúvidas de que merece ser considerado como campeão de um torneio equivalente ao Mundial de Clubes. Falta, porém, o reconhecimento da Fifa. Assim, o clube trava uma longa batalha argumentativa, com passos lentos e política envolvida.

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Um dos principais passos dados pelo Fluminense aconteceu em 2021, quando o clube enviou um dossiê para a Fifa para a Conmebol solicitando a homologação do título. Na ocasião, o documento contou com o apoio da CBF e do então presidente Rogério Caboclo, que chegou a ir até as Laranjeiras e tirou fotos com o troféu. Como todo o processo é lento, ainda não houve resposta da entidade máxima do futebol.

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Entre os principais argumentos está que a Fifa chancelou um torneio "de moldes mundiais" na época. Mas por que? Vale a contextualização. Havia um temor na entidade pela derrocada da popularidade do futebol em escala global nos anos 1950. Tanto que, devido a Segunda Guerra Mundial, nenhum país que queria sediar a Copa do Mundo. O Brasil entrou na disputa e aproveitou a oportunidade.

Após a Copa, a Fifa queria manter o futebol em alta e queria realizar uma Copa do Mundo entre clubes. O Rio de Janeiro, na época Distrito Federal e centro financeiro do Brasil, se colocou à disposição mais uma vez. A média de público das Copas Rio de 1951 e 1952 foram de mais de 50 mil torcedores por jogo, maior do que o das três Copas do Mundo anteriores.

A Copa Rio só tem esse nome porque a Prefeitura do Rio bancou a hospedagem e logística das delegações. Muitas vieram de navio da Europa. Também comprou os "naming rights" da competição, sinal da força governamental junto a Fifa na época. Sem esse financiamento, é bem provável que a competição não fosse realizada.

Esse status de título mundial não causa debate apenas entre tricolores. O Palmeiras é outro que corre para que a sua edição, de 1951, também seja reconhecida. Os paulistas chegaram a receber um documento da Fifa validando o título, mas, na ocasião, a entidade voltou atrás e só reconhecia os torneios disputados após 2000.

Em 2017, também passou a considerar os vencedores das Copas Intercontinentais, disputado entre vencedores da Libertadores e da Liga dos Campeões, como campeões mundiais.

Através de seu site oficial, a Fifa já chamou a Copa Rio de Mundial em algumas oportunidades. Os mais recentes presentes em matérias especiais envolvendo o clube alviverde, como em uma entrevista com o atacante Rony ou quando foi relembrando os grandes feitos do Palmeiras. Porém, a entidade não emite nenhuma documentação homologando o título.

Valorização da conquista pelo Fluminense

Alheio a falta de resposta da Fifa, o Fluminense trata de valorizar a sua memória e trata, sim, a Copa Rio como um Mundial de Clubes. O resgate começou a ganhar força a partir de 2012, quando o Fluminense promoveu diversas ações para dar luz à discussão. Na ocasião, foram completos 60 anos da conquista.

Em 2017, o clube também lançou o livro intitulado "Campeão Mundial - O Bravo Ano de 1952". Naquele mesmo ano, passou a exibir uma faixa com o dizer "Campeão Mundial de 1952" em seus jogos no mandante no Maracanã.

A maioria dos jogadores daquele elenco já faleceram. O último a nos deixar foi o zagueiro Nestor, que tinha 92 anos e lutava contra uma doença renal crônica. Em maio de 2021, ele faleceu devido a insuficiência respiratória. O elenco titular era formado por Castilho; Píndaro, Pinheiro; Jair, Edson, Bigode; Telê, Didi, Marinho, Orlando Pingo de Ouro e Quincas.

Entre as curiosidades, vale destacar que, entre 1950 a 1952, o apelido do Maracanã era "Recreio dos Bandeirantes", porque os amistosos entre seleções paulistas e cariocas costumavam ter os paulistas como vencedores. A Copa Rio 1952 foi o primeiro título fora do grupo estadual de um carioca no Maracanã.

Nesta temporada, o Fluminense anunciou a contratação do volante Felipe Melo, que está usando o número 52 nas costas, em celebração aos 70 anos do título da Copa Rio de 1952.

Relembre a Copa Rio de 1952

Campeão mundial invicto em 1952, ao vencer a segunda edição da Copa Rio, o Fluminense levou a melhor sobre o Corinthians na final da competição, realizada em dois jogos, no Maracanã. Depois de vencer por 2 a 0 o confronto de ida, com gols de Orlando Pingo de Ouro e Marinho, o tricolor conseguiu o título no dia 2 de agosto, no empate em 2 a 2 com o adversário.

Comandada por Zezé Moreira, a equipe era formada por grandes craques tricolores, como Castilho, Píndaro, Pinheiro, Bigode, Didi, Telê Santana e Orlando Pingo de Ouro. Ao longo da campanha, o Time de Guerreiros superou, por exemplo, o Peñarol, base da seleção uruguaia campeã mundial em 1950.

Sediado no Rio de Janeiro e com ampla cobertura da imprensa esportiva europeia, o torneio reuniu equipes estrangeiras campeãs e vice-campeãs de seus países no ano anterior, como Áustria Viena (Áustria), Grasshopper (Suíça), Libertad (Paraguai), Peñarol (Uruguai), Saarbrucken (Alemanha) e Sporting (Portugal). Os finalistas Fluminense e Corinthians, por sua vez, haviam vencido os campeonatos carioca e paulista de 1951, respectivamente.

Chancelada por Jules Rimet, Stanley Rous e Ottorino Barassi, dirigentes da FIFA, a competição contou com a Prefeitura do Rio como sua principal apoiadora econômica. A partir do torneio, surgiram outras competições como a Copa dos Clubes Campeões da Europa, a Champions League, em 1955; e, em 2000, a criação do Campeonato Mundial de Clubes.

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