Como estão os avanços científicos para retardar o envelhecimento?

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A imortalidade e eterna juventude sempre foram buscadas sem sucesso e às vezes com finais trágicos no decorrer da história. Ao olhar para o processo evolutivo é possível perceber que só recentemente a vida humana começou a ser tão longa. Há 150 anos a estimativa de vida girava em torno dos 40 anos. Hoje já existem estudos com animais que nos aproximam da possibilidade de que o tempo de vida humano seja estendido dos 80 anos para 115 ou 120.

Basicamente pode-se dizer que o envelhecimento é a perda gradativa das reservas que todos os organismos têm para usar em momentos de estresse. É o período de maior vulnerabilidade a doenças. Uma das principais causas da mortalidade em idosos é a gripe, de acordo com João Pedro de Magalhães, professor especialista em envelhecimento da Universidade de Liverpool.

Embora o processo de envelhecimento a partir do cálculo ou perspectiva molecular continue sendo um mistério, entre as hipóteses mais aceitas no mundo científico está a de que exista danos ao DNA que provavelmente afetam a renovação celular e células tronco, que por sua vez impede a reparação do corpo.

O DNA em nossas células está envolto com cromossomos. Cada um desses cromossomos tem duas espécies de solas protetoras nas extremidades, são os telômeros. Eles ficam mais curtos cada vez que as células se replicam. Quando ficam muito curtos as células param de se reproduzir e morrem, desacelerando assim a habilidade do corpo se auto-renovar. E porque isso acontece com a idade, pesquisadores dizem que é o que leva ao processo de envelhecimento.

De acordo com Magalhães , depois dos 30 anos as chances de morrer dobram a cada oito anos. O professor e pesquisador explica que este é um padrão para população humana. Já entre os animais, não apenas existem espécies que vivem mais que humanos, como há também as que não envelhecem, como algumas tartarugas e peixes. E os genes dessas espécies já estão sendo estudados.

Avanços recentes

Em palestra disponível no TED, Magalhães explica que um dos maiores avanços até agora é a possibilidade de manipular genes individuais, que são capazes de regular o envelhecimento em mamíferos. No caso de ratos, o tempo de vida foi estendido em 50%, além de ter deixado os roedores mais saudáveis.

Caso a alteração genética fosse aplicada em humanos, o pesquisador indica que uma pessoa de 75 anos teria a saúde de uma de 50. Além da possibilidade de estender o tempo de vida para além de 115 anos.

Por mais que não seja possível testar as descobertas em humanos como é possível com animais, Magalhães afirma que a genética tem impacto significante sobre o tempo de vida e lembra o caso da francesa Jeanne Calment (1875-1997), a pessoa que viveu por mais tempo, de acordo com os registros de longevidade, 122 anos, apesar de não estar associada a um estilo de vida saudável.

Fórmula “antienvelhecimento”

O método mais famoso usado para retardar o envelhecimento é a restrição calórica, que limita a quantidade de calorias que animais comem enquanto mantém nutrientes como vitaminas e minerais saudável. A técnica é utilizada há décadas para estender a vida dos roedores.

O estudo feito pelo laboratório de Magalhães na universidade de Liverpool se debruça sobre o gene que media o efeito da restrição calórica, o que traz a possibilidade de desenvolver drogas que tenham o mesmo efeito que a dieta. Ele explica que a ideia é identificar genes que regulam outros genes.

O gene do rato-toupeira-pelado também está sendo estudado pelo professor e pesquisador. A espécie vive mais de 30 anos, muito acima do que seria esperado, e é extremamente resistente ao câncer quando comparado a outros roedores ou mesmo a humanos. Isso porque eles possuem células que secretam açúcar que os protege do câncer.

De acordo com Magalhães, caso o processo de envelhecimento seja desacelerado por sete anos, já reduziria pela metade o incidente de doenças relacionadas à idade em cada fase da vida, o que representaria um impacto massivo não apenas na longevidade, mas também na saúde humana.

Por Gislene Trindade