Como fazer o hobby virar fonte de renda: especialistas mostram o caminho

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Transformar um hobby ou um talento pessoal em negócios e em atividade remunerada é um sonho alimentado por muitos profissionais. Para especialistas em empreendedorismo, a inserção em uma atividade prazerosa pode ser o primeiro passo para ter sucesso. O hobby, ao contrário do emprego, é escolhido porque traz prazer, é aquilo que a pessoa gosta de fazer.

Por outro lado, o planejamento para a transição de uma paixão para fonte de renda deve levar em consideração que, ao transformar a atividade em ocupação lucrativa, ela exigirá o desenvolvimento de outras capacidades que não estarão no campo do prazer e demandam tempo.

— É preciso entender que ao escolher o hobby como negócio, a pessoa não vai fazer somente aquilo que gosta, como alguns pensam. Se você vai transformá-lo num negócio, terá que mergulhar em outras áreas como administração. Vai pesquisar sobre compra de material, logística e vendas, fazer pesquisa de mercado para saber se há pessoas interessadas em comprar seus produtos ou serviços. O hobby passa ser uma atividade profissional e não só uma diversão — alerta Lorraine Serrat Serpa, analista do Sebrae Rio.

Na quarta geração de uma família de costureiras, Gilmara Lima, de 46 anos, desde criança costurava roupas. Primeiro ficava no quarto de costuras de sua mãe, depois passou a usar seu próprio quarto e a sala de casa. Amigos, vizinhos e professores se interessaram por suas peças, e sua forma de relaxamento foi se transformando em renda, em Miguel Pereira, no interior do Estado.

— Passei a fazer vestidos de festas e muitas mulheres reclamavam que o produto era caro para depois ficar encostado no armário. Passei a fazer os vestidos para serem alugados e em um ano produzi 100 vestidos. Depois passei a fazer vestidos de noiva e a vender para clientes em outras cidades — conta.

Os negócios iam bem e, em 2019, ela montou o Atelier Lima. Quando veio a pandemia, e as festas cessaram, o estúdio fechou. Mais um passatempo amparado por talento de família deu origem a novo negócio: ela passou a fazer bolos e pães caseiros. Criou o Lima Doce:

— Agora, estou me preparando para tocar os dois negócios ao mesmo tempo. O atelier será reaberto amanhã.

Investimento pessoal

Lorraine Serrat Serpa, analista do Sebrae Rio, lembra que não são raros os casos em que os empreendedores passam a ganhar dinheiro com seu hobby quando vivenciam algum momento de dificuldade financeira.

— Um dos desafios é aquilo que a pessoa gosta de fazer não gerar interesse de compra em outras pessoas. Além disso, tudo depende de um investimento inicial, como compra de materiais e outros gastos — observa Serpa.

Este foi o caminho da aposentada Maria Reis Castro, de 67 anos. Durante a pandemia, ela viu a renda familiar cair e junto com o filho e a nora montou o “Tempero da Reis” para vender refeições:

— Adoro cozinhar, faço brincando. Às sextas-feiras, dia de feijoada, vendemos 30 quentinhas. E meu filho faz as entregas — afirma ela.

Transição do emprego para a sua empresa

A jornalista Estela Andrade, de 30 anos, passava as horas livres do dia com agulha e linha nas mãos. Ela aprendeu o crochê com a bisavó e o macramê, com um artesão do bairro — as duas atividades artesanais ainda criança. Foi uma transição suave entre o prazer e a satisfação pessoal para uma atividade remunerada e principal fonte de renda, com o Atelier 91:

— Passei a ir trabalhar com as peças que eu fazia e a postar fotos do que era de decoração. O pessoal do trabalho e amigos começaram a perguntar e a querer encomendar. No começo eu nem sabia quanto cobrar! Quando amigos de amigos começaram a entrar em contato pra pedir alguma peça, deu o clique. Eram pessoas desconhecidas querendo o que eu fazia. Uma amiga me incentivou a criar um perfil nas redes sociais e uma marca. E assim comecei a empreender paralelamente ao meu trabalho. Quando passei a ganhar o mesmo valor do meu emprego, pedi demissão.

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