Como fazer uma reserva de emergência

Sabe o que ficar sem emprego, pedir o divórcio e mochilar pela Europa têm em comum? Coisas ligadas a sonho, liberdade, prazer e… dinheiro. Sim, porque sem uma boa estrutura financeira, grana mesmo, qualquer projeto pode virar um desespero. Você pode se lançar de um penhasco? Claro. Você pode se lançar de um penhasco sem ter uma rede de proteção? Melhor não. E a reserva de emergência é essa rede que te protege do choque contra o chão. Quanto mais parruda essa rede, mais ela te segura. Portanto, quanto mais dinheiro você tem investido para os momentos delicados da sua vida, mais facilmente você enfrenta os perrengues.

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E não é tão difícil ter uma reserva de emergência. “75% do resultado de qualquer carteira de longo prazo vêm da valorização dos mercados, captada pela simples manutenção dos investimentos”, afirma a planejadora financeira certificada pelo CFP Sigrid Guimarães, sócia-fundadora e CEO da Alocc Gestão Patrimonial.

O difícil é começar. Mas Sigrid nos ensina a melhor maneira para fazer isso na entrevista que ela concedeu à Inteligência Financeira logo abaixo:

Por onde começar a montar uma reserva de emergência?

A reserva de emergência é a base da construção de um portifólio. É preciso se organizar para poupar regularmente, estabelecer o volume de recursos líquidos necessário à sua manutenção e direcionar estes recursos para opções de baixíssimo risco e com liquidez, é um bom modo de começar.

Onde investir para formar essa reserva?

Os recursos da reserva devem sempre ser destinados à renda fixa de baixo risco e alta liquidez. Apenas o montante livre da necessidade de acesso imediato (que é a reserva) pode ser direcionado para investimentos com maior potencial de retorno, mais voláteis e menos líquidos.

Quais ativos evitar?

Ativos que tenham um maior nível de risco, volatilidade ou pouca liquidez não devem ser considerados para a reserva de emergência. Dois exemplos são as ações e os fundos multimercados.

O perfil do investidor preocupado em ter uma reserva está mudando?

Devido à pandemia, muitos investidores ficaram preocupados ou com perda ou a diminuição de receita e a manutenção dos custos. Com isso, percebi uma mudança do investidor de buscar uma reserva de liquidez com o prazo maior do que o usual do mercado. Seis meses passaram a não ser suficientes.

O investidor está mais cauteloso?

O medo faz com que as pessoas recalculem a rota. É comum que, em um cenário de crise, a emoção tome conta e os indivíduos repensem se estão no caminho correto em relação aos seus investimentos e se tornem mais cautelosos. O ambiente de pressão inflacionária global, guerra e o ano eleitoral trazem muita volatilidade ao mercado e, com isso, as preocupações surgem. Vale lembrar que o investidor que construiu seu portfólio com base em seus parâmetros particulares, mensurando corretamente a reserva de emergência e com foco no longo prazo, e não apenas seguiu as tendências de mercado, tende a ficar menos preocupado com oscilações de curto prazo e tem mais liberdade para seguir com o foco nos objetivos traçados.

É hora de ser mais conservador com os investimentos?

Os cenários desafiadores deixam mais evidente a importância da disciplina. Se a carteira foi montada de acordo com parâmetros inferidos das circunstâncias pessoais, e não dos resultados, projeções e cenários do mercado, e se essas circunstâncias não mudaram, o investidor deve tomar cuidado para não tomar uma decisão baseada na emoção. A importância da disciplina fica evidente diante de estudos acadêmicos – e da experiência dos mais bem sucedidos gestores do mundo –, que demonstram que 75% do resultado de qualquer carteira de longo prazo vêm da natural valorização dos mercados, captada pela simples manutenção dos investimentos.

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