Como funciona a regra de mão no futebol [ATUALIZADO 2022-2023]

Lance em clássico inglês na qual a regra da mão na bola no futebol foi aplicada. Foto: John Powell/Liverpool FC via Getty Images
Lance em clássico inglês na qual a regra da mão na bola no futebol foi aplicada. Foto: John Powell/Liverpool FC via Getty Images

Um dos lances mais polêmicos do futebol moderno é a interpretação quanto ao toque de mão. Bastante criticado após a sua aplicação em partidas, especialmente em relação à interpretação da arbitragem, o toque de mão cria confusões porque suas regras mudam constantemente.

Em 2021, durante a reunião da International Football Association Board (IFAB), foi analisado que as marcações estavam sendo feitas de maneira errada e, por isso, necessitavam de revisão. Coube ao órgão, então, tentar regulamentar a regra mais uma vez, junto à Fifa e as federações de países britânicos.

"Como a interpretação de incidentes de toques na mão nem sempre foi consistente dadas as aplicações incorretas da regra, os membros confirmam que nem todo toque no braço ou na mão é uma infração", disseram, na época.

A resolução nova seguiu à risca o que era comum: toques deliberados, jogadas em que o braço é utilizado para aumentar a área de ação do jogador e gols de mão, mesmo acidentais, deveriam ser considerados infrações. Lances em que um companheiro toca na bola com a mão acidentalmente e outro faz o gol, no entanto, ficaram fora das novas recomendações — ou seja, seria validado o gol.

Dessa forma, a regra perdeu uma característica interpretativa que tinha antes, quando a arbitragem deveria julgar se o jogador teve a intenção ou não de tocar na bola. Apesar disso, o toque na mão ser 'deliberado' ou não ainda é interpretativo, uma vez que os lances sofrem variações, tanto na velocidade da bola quanto a forma (se tocou em alguém, se houve desvio) em que ela chega à mão do atleta.

O texto oficial da regra da mão na bola

Fonte: Livro de Regras do Futebol da ANAF (2022-2023)
Fonte: Livro de Regras do Futebol da ANAF (2022-2023)

Tocar a bola com a mão/braço

Com objetivo de determinar com clareza as infrações de mão/braço, fica definido que o braço tem início na parte superior da axila, como está demonstrado na figura ilustrativa. Nem todo toque da bola na mão/braço de um jogador é uma infração.

Será uma infração se um jogador:

  • Tocar a bola com sua mão/braço deliberadamente. Por exemplo, deslocando a mão/braço na direção à bola;

  • Tocar a bola com sua mão/braço, quando sua mão/braço ampliar seu corpo de forma antinatural. Considera-se que um jogador amplia seu corpo de forma antinatural, quando a posição de sua mão/braço não é consequência do movimento ou quando a posição da mão/braço não pode ser justificada pelo movimento do corpo do jogador para aquela situação específica. Ao colocar a sua mão/braço em tal posição, o jogador assume o risco de sua mão/seu braço ser tocada pela bola e, portanto, deve ser punido;

  • Marcar um gol na equipe adversária:

  1. diretamente do toque da bola em sua mão/braço, mesmo que acidentalmente, inclusive o goleiro:

  2. imediatamente após a bola tocar em sua mão/braço, mesmo que acidentalmente.

Fora da sua própria área penal, o goleiro está sujeito às mesmas restrições que os demais jogadores para tocar a bola com as mãos. Se o goleiro tocar a bola com sua mão dentro de sua área penal sem estar autorizado a fazê-lo, será marcado um tiro livre indireto, porém não haverá punição disciplinar. No entanto, se a infração for por tocar a bola pela segunda vez (seja ou não com a mão/braço), após haver reiniciado o jogo e antes de a bola ser tocada por outro jogador, o goleiro deve ser punido se, com a infração, impedir um ataque promissor, um gol ou uma clara oportunidade de gol da equipe adversária.