Como funciona o ‘centro de recuperação’ de árbitros da CBF

Há um mês, os árbitros Sávio Pereira Sampaio, no campo, e Rafael Traci, no VAR, foram o centro de mais uma polêmica envolvendo a arbitragem ao marcarem pênalti contra o Botafogo na vitória por 3 a 2, no Beira-Rio, pelo Brasileiro. Prontamente, eles foram suspensos pela CBF e ganharam, na última sexta-feira, a companhia de Emerson de Almeida Ferreira e Marcus Vinicius Gomes, os assistentes de vídeo que atuaram no clássico entre Palmeiras e São Paulo, nas oitavas de final da Copa do Brasil. Mas, desta vez, eles não ficarão apenas na “geladeira”.

Hoje, eles participam do Pada (Programa de Assistência ao Desempenho da Arbitragem), algo como um “centro de recuperação” criado recentemente pela Comissão de Arbitragem da CBF, agora sob o comando de Wilson Seneme.

A ideia é que eles não fiquem apenas “congelados” até a poeira assentar e voltar — Traci, inclusive, só está afastado na CBF, já que foi o árbitro de vídeo em River Plate x Vélez Sarsfield, há 10 dias, pela Libertadores, e também houve polêmica envolvendo o VAR. Nestes casos, a Conmebol notifica as ligas específicas dos profissionais.

— O Pada foi criado para auxiliar os árbitros e árbitras que demonstram maior grau de dificuldade de interpretação e aplicação das regras de jogo e que cometem erros graves com grande impacto nas partidas. O objetivo principal do afastamento é preservar os árbitros e árbitras. Assim, podemos reconhecer as causas dos problemas, tratar e melhorar o rendimento da arbitragem — explica Seneme.

Nessa recuperação, os integrantes afastados serão avaliados em cinco áreas específicas: técnica, física, psicológica, médica e nutricional. A partir das análises será possível identificar as razões que motivaram o erro e avaliar o melhor momento do retorno — não há um prazo definido. Porém, com o cuidado de não recolocá-los de volta em jogos de grande apelo.

— É uma novidade, que terá sua eficiência avaliada ao fim da temporada — diz Seneme.

No lançamento do plano de ação para a arbitragem, no mês passado, na sede da CBF, Seneme deixou claro que o Pada deve ser o último recurso, e o sonho é que esteja sempre vazio. Para isso, a reestruturação da Comissão de Arbitragem pretende rever vários aspectos que concorrem para os erros de arbitragem. Entre eles, estão a questão física, a especialização da arbitragem de vídeo e a falta de conhecimento dos árbitros sobre o próprio trabalho.

Entre as medidas mais imediatas estão uma intertemporada no fim deste mês para avaliação física e trabalho específico para situações de jogo. A CBF também prevê pré-temporada em 2023. A entidade investirá num sistema de scout com as estatísticas de cada árbitro. Assim, poderão ter acesso às próprias atuações, rever erros e estudar para os jogos seguintes.

Rio e SP têm programas

Os dois principais centros de futebol também têm seus programas de reavaliação dos árbitros suspensos. A Federação Paulista encaminha o profissional, após debater com ele o erro cometido, para o setor de desenvolvimento. Lá, serão feitos exercícios práticos e teóricos. O retorno, normalmente, leva menos de um mês.

Prazo semelhante ao da Federação de Futebol do Rio (Ferj), que, por meio do Programa de Qualificação e Aperfeiçoamento, também trabalha pontualmente o erro por meio de lições de regras realizadas on-line, treinos e execução no campo. Após o período e aprovação da comissão de arbitragem, são liberados para voltar à escala.

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