Como nossas atitudes podem prejudicar a inclusão de pessoas com deficiência

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Em uma sala branca, um homem em uma cadeira de rodas e uma mulher em pé dançam juntos
(Foto: Getty Images)

Quando falamos em acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência (física, mental, intelectual ou sensorial), imediatamente pensamos em situações mais corriqueiras, como barreiras arquitetônicas e de comunicação. Mas existe uma outra categoria, ainda mais sutil e subjetiva e que pode ser a base de todas as anteriores: as barreiras atitudinais.

A Lei Brasileira de Inclusão define esse termo da seguinte forma: “atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições e oportunidades com as demais pessoas”. Ficou difícil? Eu vou te explicar.

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Eu sou cego de nascença e convivo diariamente com a dificuldade da sociedade em lidar comigo e com a minha deficiência. Esse déficit na inclusão se dá em vários âmbitos: nos relacionamentos afetivos, no acesso ao emprego, na comunicação e na interação social com outras pessoas, entre outras situações.

Existe mais de uma dezena de exemplos de barreiras atitudinais. Algumas das mais comuns são a piedade e a supervalorização.

No primeiro caso, somos vistos como incapazes e coitados por conta da deficiência. Neste contexto, é comum ter um comportamento de superproteção excessiva por medo de que não consigamos realizar alguma tarefa.

Além disso, a visão coitadista nos coloca em um patamar inferior e como vítimas fatais da nossa condição. O sentimento de pena faz parte desse sentimento e norteia as atitudes e comportamentos em relação às pessoas com deficiência.

Já a supervalorização tem a ver com a percepção de que somos heróis por ter uma deficiência e participar de forma ativa da sociedade. “Nossa, mas você é jornalista? Meus parabéns”. “Acho incrível que você está aqui na balada com a gente”. “Tem gente que não faz metade do que você faz”.

Já cansei de ouvir frases como essas. Elas são comuns, e, por mais bem intencionadas que possam parecer, também nos colocam em um patamar distante e desigual com outras pessoas

Para diminuir as barreiras atitudinais, o primeiro ponto é entender que as pessoas com deficiência não formam um grupo homogêneo. Cada indivíduo possui particularidades e individualidades e ter essa noção é importante para quebrar estereótipos. Nem todos os cegos possuem uma boa audição, por exemplo.

Mas, Gustavo, não posso brincar dizendo que você tem audição supersônica e é o rei do tato? Pode, claro. Eu mesmo brinco com essas questões. Mas levar a sério para mensurar minhas capacidades é diferente. Não recomendo.

Naturalizar o comportamento, nesse sentido, é fundamental para diminuir as barreiras atitudinais. Aproxime-se, pergunte, converse. Não tenha medo do “cancelamento”. Não somos feitos de açúcar e nem de cristais. E todos nós podemos cometer equívocos e aprender com os erros para diminuir nossos preconceitos.

Descrição da imagem: Em uma sala branca, um homem em uma cadeira de rodas e uma mulher em pé dançam juntos. Ele está de costas, com a mão direita estendida, segurando a mão direita da mulher. A mão esquerda dela está estendida para trás e os joelhos flexionados. O homem é negro, careca e usa camiseta branca. A mulher é negra, tem cabelos trançados em um coque e usa camiseta branca e calça preta, ela está descalça.

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