Como o Acre, Thiago Silva e o Real Madrid anseiam pela convocação de Tite amanhã

O Acre não existe na história das Copas, mas deve passar a existir amanhã, às 13h, quando Tite divulgar a lista de 26 jogadores que vão ao Catar. Na política e geografia, o estado é realidade desde 1904, mas não nos Mundiais. Desde o primeiro torneio, em 1930, nunca a seleção brasileira teve um acreano. Nascido na capital Rio Branco, o goleiro Weverton, do Palmeiras, dificilmente não será um dos convocados — provavelmente como terceiro goleiro, junto a Alisson (gaúcho do Liverpool) e Ederson (paulista do Manchester City). Mesmo sem jogar, já fará história.

A seleção brasileira nas Copas tampouco tem um cearense ou um goiano. Na verdade, só 17 estados brasileiros tiveram representantes, e a julgar pelos cotados para a lista de Tite, só o Acre vai romper essa fronteira amanhã. Entre os 464 atletas chamados por Píndaro Rodrigues em 1930 até Tite em 2018, só seis vieram da Região Norte — cerca de 1%.

Retrato da história oficial do futebol brasileiro, construída principalmente pelos clubes de Rio e São Paulo nas primeiras Copas. Juntos, fluminenses e paulistas representam 61% de todos os que já estiveram na desejada lista. É quase seis vezes o número de nordestinos, por exemplo. E nada deve mudar na chamada do gaúcho Tite: projeção do GLOBO prevê de 9 a 12 paulistas entre os 26, incluindo Neymar, a estrela da equipe, que vai representar o município de Mogi das Cruzes-SP, pela terceira vez em um Mundial.

Thiago Silva e aquele 1,5%

Ser convocado para uma terceira Copa pode parecer algo natural para Neymar, mas é uma missão complicada mesmo para um jogador que chega ao mais alto nível do futebol. Os jogadores que aparecerem amanhã pela primeira vez numa lista de Mundial — a maioria, podendo chegar a 16, segundo a mesma projeção — têm só 20% de chances de serem chamados de novo. Para um terceiro Mundial, como Neymar, as chances são mais raras: só cerca de 8%.

O camisa 10 já declarou que 2022 pode ser sua despedida da seleção. Se confirmar, não vai tentar o passo além: só 1,5% (7 em 464) dos jogadores convocados até hoje chegaram na quarta convocação. O último foi Cafu, que foi a todas as Copas de 1994 a 2006.

Foi na Copa seguinte, em 2010, na África do Sul, que começou a saga daquele que deve ser o oitavo elemento deste seleto grupo. Nome certo na lista de Tite, o zagueiro Thiago Silva se juntará a Pelé, Nilton Santos e cia.

E é só um dos recordes que ele deve bater: aos 38 anos, será o mais velho convocado da história, superando Djalma Santos, que chegou ao seu quarto mundial, em 1966, aos 37. Mas isso só se o técnico Tite não convocar também, o lateral Daniel Alves, que pode pulverizar a marca aos 39 anos.

Real é o novo Botafogo

Dani, se convocado, será o primeiro jogador da seleção em Copas que atua no futebol mexicano (ele está no Pumas). Contribuirá para um provável outro recorde: o maior número de “estrangeiros” — jogadores que atuam por times de fora do país na lista.

Em 2006, 2010 e 2018, 20 dos 23 convocados trabalhavam fora. Com o aumento dos convocados para 26 jogadores, a expectativa é de quebra da marca. Atuando no Brasileirão, dos mais cotados, só o palmeirense Weverton é presença certa. Everton Ribeiro, Gabigol e Pedro, do Flamengo, podem pintar, mas mesmo que em totalidade, não segurariam o recorde. Seriam 22 jogadores “europeus”, ou 21 e o mexicano Daniel Alves.

Com os três, o Flamengo ultrapassaria o Vasco no ranking dos clubes que mais cederam jogadores à seleção, e assumiria o terceiro lugar. O Botafogo não vai perder a liderança para o São Paulo, que não deve ter representantes. O que deve acontecer é a invasão de um clube europeu no top-10 pela primeira vez na História.

O Real Madrid deve ter Militão, Rodrygo e Vini Jr. e chegar a 13 convocações, deixando Atlético-MG e Cruzeiro para trás, e estender a liderança geral entre os clubes com mais convocados no século XXI.

Um século com craques distantes, mas com a expectativa e ansiedade pela estreia na Copa, dia 24, contra a Sérvia.