Como os ex-BBBs mais rejeitados superaram o julgamento do público

David Barbosa
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Eliminado do "Big Brother Brasil 21" com 98,76% dos votos, o humorista Nego Di passou a encabeçar a lista dos “brothers” mais rejeitados da história do programa da TV Globo. Ao longo das edições, houve quem fosse eliminado por “jogar demais” — caso de Patrícia Leitte, do BBB 18. Outros, por falas preconceituosas — como Felipe Cobra, do BBB7. De processos judiciais a quadros de depressão, a vida após um recorde de rejeição no BBB é feita de altos e baixos, mas, para especialistas, os números podem ser a chance de um autoexame profundo — tanto dos participantes quanto do próprio público.

Arrependimento

Logo na manhã seguinte à saída do BBB, em entrevista a Ana Maria Braga no programa "Mais Você", da TV Globo, Nego Di se disse arrependido de posicionamentos e falas feitas antes e ao longo do reality. Do lado de fora da casa, uma das maiores polêmicas do humorista foi um comentário num programa de rádio de 2019, em que ele debocha das sequelas sofridas pelo sambista Arlindo Cruz, vítima de um AVC há quatro anos.

"Pensava que tinha a possibilidade de sair, mas também de ficar... Mas não esperava que sairia com tanto”, afirmou o ex-BBB. “'Reconheço que errei pra caramba, mas não sou mau-caráter. Não sou um cara ruim. Quando cheguei no hotel e vi tudo que estava acontecendo no mundo real, eu pensei: 'Nada faz mais sentido'. Só consegui ficar tranquilo quando falei com a minha família''.

De rejeitada a influencer

No BBB 18, Patrícia Leitte foi antagonista de Gleici Damasceno, que viria a ser a campeã daquele ano, e saiu com 94,24% dos votos, num paredão triplo contra Diego (3,3%) e Caruso (2,44%).

Mas o choque mesmo veio fora do programa: amigos de longa data se afastaram da ex-BBB, que, sem conseguir alavancar a carreira artística, passou por dificuldades financeiras nos primeiros meses após o programa. Além disso, seu filho, à época com 12 anos, foi alvo de bullying na escola, a ponto de a equipe pedagógica pedir a Patrícia que não fosse mais ao colégio para evitar os comentários jocosos das outras crianças. Nas redes sociais, usuários chegaram a ameaçar a ex-sister e a compará-la a criminosos como Suzane Von Richtofen.

— Nunca pensei que seria vilã. — diz Patricia. — Mas o que mais doeu não foi a votação, foram os amigos que sumiram, os comentários me comparando a uma assassina, os coleguinhas do meu filho chamando a mãe dele de “cobra”, “Peppa”, “falsa”.

Hoje, a ex-funcionária pública atua em musicais e também trabalha como coach. Apesar do que aconteceu, não se arrepende de ter participado do reality e se diz “pronta” para novos convites à televisão, apesar da resistência do filho adolescente.

— Ele sofreu muito, diz que não quer que eu participe de mais nenhum reality. Era um menino que participava muito das redes sociais, depois disso não quis mais. Ficou com aversão ao mundo da fama. Mas ele entende que o meu sonho sempre foi ser conhecida. O programa mudou a minha mente, me ensinou a enxergar com mais empatia. Mas o público não pode pensar que está fazendo um julgamento definitivo do caráter dos participantes, olhar para eles como se fossem seres humanos que não merecem uma segunda chance. São pessoas que estão ali tentando ganhar uma vida melhor — defende.

Nada mudou

Quarta eliminada do BBB 18, Nayara de Deus recebeu 92,69% dos votos em um paredão contra a campeã Gleici e seu aliado, Mahmoud. Apesar da alta rejeição e a fama de fofoqueira, a vida da ex-sister não mudou drasticamente. Formada em jornalismo desde 2006, Nayara continuou atuando em sua área de formação, voltando seu trabalho à temas como negritude, representatividade e empoderamento feminino, temas já levantados durante sua passagem pelo programa.

Em suas redes sociais, além de comentários políticos, Nayara também tem divulgado seus trabalhos como Mestre de Cerimônia e apresentadora de festivais.

Homofobia

"Não tenho nada contra, tenho um monte de amigo 'viado'. Agora, você lá e eu aqui, não entra no meu espaço não, parceiro. Não vem entrar no banheiro naquela de 'botar a mão' que vai tomar bolacha”. Foram declarações como essa que renderam uma eliminação com 93% dos votos e até mesmo processos judiciais contra o Felipe Cobra, no BBB 7.

Por causa da repercussão, Cobra chegou a se afastar da faculdade de Educação Física durante um semestre. Hoje, mora no interior de São Paulo, participa de campeonatos de jiu-jitsu e diz que gostaria de uma segunda participação para “mostrar que não sou o que pintaram aí”.

— Não sabia nem o que era homofobia na época — jusitifca. — Não tenho que pedir desculpa para ninguém, mas sei que fiz merda lá dentro. Tenho primos homossexuais, nunca tive problema com isso. Aprendi a ser mais ponderado nas palavras, porque uma coisa que a gente perde lá dentro é o peso delas. Sempre fui um cara muito agressivo no jeito de falar. Hoje faço acompanhamento psicológico.

Longe da mídia

Rival de Grazi Massafera duarante sua edição, Natália Prada foi a sexta eliminada do BBB 5 com 88% dos votos. A participante também protagonizou uma grande briga com Jean Wyllys, campeão daquele ano. Após o reality, foi capa da revista "Playboy", se formou em jornalismo, fez pequenas participações na novela "Malhação" e chegou a apresentar um telejornal em sua cidade natal, Fortaleza.

Hoje em dia longe dos holofotes, a ex-sister leva uma vida comum, mostrando nas redes sua vida de casada e exibindo a preparação para a gestação de seu segundo filho. Natália se tornou pastora da igreja Bola de Neve, em São Paulo, além de ser a vocalista de uma banda gospel.

'Uhu! Nova Iguaçu!'

Fani Pacheco relembra o alto percentual de saída do BBB 7 (89%) menos como uma rejeição e mais com uma aprovação a Diego Alemão, seu concorrente no paredão duplo e vencedor naquela edição. Fora da casa, ela também sentiu que muita gente votou para eliminá-la por causa do triângulo amoroso formado entre ela, Diego e Íris Stefanelli.

— Conforme o triângulo foi andando, a maioria dos fãs queria que ele ficasse com a Íris e tinham medo de ele cair em tentação — avalia. — Essa leitura vem muito do preconceito da época (o programa foi exibido em 2007) com a mulher empoderada. Faltava essa visão de feminismo do público. As pessoas viam como se o Alemão não quisesse ficar comigo, sendo que em todas as vezes em que ficamos foi por vontade mútua. Em geral, fui muito amada, como se eu fosse uma das finalistas — diz ela, que, no BBB 21, torce para a conterrânea, Camilla de Lucas.

Natural de Nova Iguaçu (lembra do bordão "Uhu, Nova Iguaçu?), Fani diz que recebeu muito carinho do público, apesar de uma ou outra mensagem de ódio no blog que mantinha ativo na época. Atualmente, ela está no oitavo período de Medicina e segue a carreira de modelo.

Vida fitness

Jaque Khury teve uma passagem relâmpago pelo reality global, tendo sido a primeira eliminada do BBB 8, com 87% dos votos. Após sua saída da casa, atuou como apresentadora em programas na Rede TV e na Record, tendo seu maior destaque no "Pânico na TV".

Jaque chegou a posar nua duas vezes, em 2008 e 2011 e ganhou bastante destaque no carnaval, desfilando como rainha de bateria das escolas Acadêmicos do Tatuapé, em 2009, e Pérola Negra, em 2012, além de participações nas escolas Unidos do Peruche e Mancha Verde.

Sempre focada em projetos voltados a vida fitness, participou de campeonatos de fisiculturismo, mas atualmente trabalha como digital influencer, criando conteúdos sobre vida saudável e maternidade.