Como os jornais internacionais noticiaram vitória de Bolsonaro em 2018, e de Lula, neste domingo?

O resultado das eleições brasileiras representou um acontecimento histórico. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou o primeiro presidente na história do país a se eleger três vezes, enquanto Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro chefe do executivo a não conseguir emplacar mais um mandato. E a repercussão na imprensa internacional não poderia ser diferente.

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Jornais de todo o mundo destacaram a disputa emocionante entre dois pesos pesados, e o sentimento de ruptura em relação a quatro anos de um governo de direita no poder. Em comparação ao último pleito, as manchetes agora aparecem em uma tônica de enfrentamento a problemas antes deixados de lado, como o combate ao desmatamento na Amazônia.

Confira, em comparação, o que noticiaram os principais jornais do mundo quando Bolsonaro chegou ao poder e quando Lula foi eleito neste domingo.

New York Times

“Jair Bolsonaro ganha a presidência do Brasil, em uma mudança para a extrema-direita”, dizia a manchete do New York Times no momento que sucedeu o resultado eleitoral em 2018, em texto que destacava Bolsonaro como uma figura de caráter populista e estridente.

“O Brasil se tornou, no domingo, o último país a se desviar para a extrema-direita, elegendo um populista estridente como presidente, na mudança política mais radical do país desde que a democracia foi restaurada há mais de 30 anos”, constava na reportagem.

Já a manchete publicada após o resultado deste domingo destacava: “Brasil expulsa Bolsonaro e traz de volta o ex-líder de esquerda, Lula”. O resultado foi classificado como “uma repreensão ao movimento de extrema-direita de Bolsonaro e seus quatro anos divisivos no cargo''.

A reportagem explicava também o possível impacto do resultado das eleições para o destino da Amazônia. Segundo o texto, Bolsonaro destruiu as agências responsáveis pela proteção da floresta, enquanto seu adversário prometeu investir na preservação da região.

Wall Street Journal

Há quatro anos, a pegada do The New York Times foi a mesma adotada pelo Wall Street Journal, outra publicação estadunidense, mas voltada para temas do mercado financeiro. No título: “populista de extrema-direita ganha eleição presidencial no Brasil”.

O destaque do texto foi para a informação de que Bolsonaro poderia se somar ao grupo de populistas em todo o mundo, após eleição que inclinaria a maior nação da América Latina para a direita.

Já o recorte destas eleições dizia que o Brasil apostava, mais uma vez, no populismo de esquerda que fracassou outras vezes no passado. No mais, o jornal disse que Lula poderá usar todas as alavancas de poder que puder para alcançar seus “sonhos socialistas”.

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El País

O El País, um dos principais jornais da Espanha, destacou a eleição de 2018 como a guinada de um presidente de ultradireita, que seria um “capitão nostálgico da ditadura”.

“Na reserva desde o final dos anos 80, (Bolsonaro) conseguiu capitalizar a indignação que embarga muitos dos brasileiros, o desencanto de sempre com a classe política, a raiva com a corrupção que come todos os partidos”, dizia o texto.

Neste ano, a publicação relembrou a eleição de outros líderes de esquerda na América Latina, e destacou o silêncio de Bolsonaro sobre o resultado, depois de “alertas durante a campanha, sem provas, de possível fraude eleitoral”.

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Le Monde

O Le Monde, tradicional veículo de imprensa francês, publicou o título “Eleição no Brasil: o presidente eleito Jair Bolsonaro promete ‘mudar o destino’ do país”, em 2018. O texto destacava, no mais, que Bolsonaro encarnou a imagem de candidato antissistema, elencando o medo nas esferas da segurança e corrupção como razões motoras de sua vitória.

O texto deste domingo foi titulado como “Lula derrota Bolsonaro no segundo turno das eleições no Brasil”, e destacava o clima polarizado e os resultados apertados da corrida eleitoral.

“Todos os olhos estão agora voltados para como Bolsonaro e seus apoiadores reagem ao resultado, após meses alegando – sem provas – que o sistema de votação eletrônica do Brasil é assolado por fraudes e que os tribunais, a mídia e outras instituições conspiraram contra ele”, dizia a publicação.

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The Guardian

O The Guardian, do Reino Unido, informou em 2018 que o direitista Bolsonaro se tornaria o próximo presidente do Brasil. Em outra reportagem, o jornal destacava a chegada da ultradireita ao poder no país, diante do perfil do chefe do executivo eleito. Quatro anos depois, a publicação dizia que esta eleição foi a mais importante desde o final da ditadura, com o título "Lula triunfa sobre o atual presidente de extrema-direita Bolsonaro em esplêndido retorno”.