Como será a próxima recessão nos EUA? Longa, moderada e dolorosa

Recessões, com famílias perdendo renda e mais infelizes, são dolorosas à sua maneira. E a próxima - que economistas acreditam que seja cada vez mais possível até o fim do próximo ano - provavelmente confirmará isso. Uma recessão nos Estados Unidos pode ser modesta, porém longa.

Nos EUA: Empregos são dizimados no país, enquanto governos europeus financiam postos de trabalho

Nas redes: Preço da gasolina vira alvo de troca de farpas entre Bezos e Biden

Muitos observadores esperam que qualquer declínio seja muito menos doloroso do que a crise financeira de 2007 a 2009 e as recessões vistas na década de 1980, quando a inflação também esteve tão alta. E dizem que a economia simplesmente não está tão fora de controle quanto naqueles períodos anteriores.

Embora a recessão deva ser moderada, pode acabar durando mais do que as retrações de oito meses de 1990-91 e 2001. Isso porque a inflação elevada pode impedir que o Federal Reserve corra para reverter a recessão.

-A boa notícia é que há um limite para a gravidade - disse Robert Dent, economista sênior para os EUA da Nomura Securities. - A má notícia é que vai ser prolongada.

Inflação, juros, risco fiscal e de recessão global: Veja o que derrubou a Bolsa na 1ª metade de 2022

Chegada do 5G: Preciso trocar de plano ou de celular? Veja o que muda com estreia da tecnologia em Brasília amanhã

O ex-analista do Fed de Nova York vê uma contração de aproximadamente 2%, iniciando no quarto trimestre e durando até o próximo ano.

Não importa a forma que a retração tome, uma coisa parece certa: haverá muita dor quando vier. Nas 12 recessões desde a Segunda Guerra Mundial, em média, a economia contraiu 2,5%, o desemprego aumentou cerca de 3,8 pontos percentuais e os lucros das empresas caíram cerca de 15%. A duração média foi de 10 meses.

Plano Marshall: Saiba o que é e como ele recuperou a Europa após a Segunda Guerra Mundial

Mesmo uma desaceleração na extremidade mais leve do espectro provavelmente faria centenas de milhares de americanos - pelo menos - perderem seus empregos. O mercado de ações pode sofrer uma nova queda à medida que os lucros caem.

A profundidade e a duração da recessão serão amplamente determinadas pela persistência da inflação e pelo tamanho da dor que o Fed está disposto a infligir à economia para reduzi-la a níveis que considere aceitáveis.

Desempenho baixo: Bolsas americanas perdem US$ 9 trilhões no pior semestre desde 1970

O assessor econômico-chefe da Allianz, Mohamed El-Erian, disse que está preocupado com um cenário semelhante ao dos anos 1970, no qual o Fed afrouxou prematuramente a política em resposta à fraqueza econômica antes de erradicar a inflação.

Tal estratégia prepararia o terreno para um declínio econômico mais profundo no futuro e uma desigualdade ainda maior, disse o colunista da Bloomberg Opinion. El-Erian já alertava no ano passado que o Fed estava cometendo um grande erro ao minimizar a ameaça inflacionária.

- Uma economia vacilante é quase inevitável - disse Lindsey Piegza, economista-chefe da Stifel Nicolaus & Co. - A questão passou de se vamos ver uma recessão para qual será sua profundidade e duração.

Nouriel Roubini: Ações podem cair mais 50% com proximidade de crise financeira nos EUA, avalia economista

Mas há boas razões para esperar que o resultado não seja tão ruim quanto o início dos anos 1980, ou a crise financeira de 2007-09 – episódios em que o desemprego disparou para níveis de dois dígitos.

Como observou Jan Hatzius, economista-chefe do Goldman Sachs, a inflação não está tão embutida na economia ou na psique dos americanos como estava quando Paul Volcker assumiu o comando do Fed em 1979, após uma década de fortes pressões sobre os preços.

Portanto, não será necessária uma queda tão grande dos juros para o Fed atual trazer os preços para níveis mais aceitáveis.

Inverno cripto: Investidores enfrentam primeira crise após popularização do bitcoin

O economista Robert Gordon calcula que a tarefa do Fed hoje requer cerca da metade da desinflação que Volcker se viu obrigado a fazer.

Além disso, consumidores, bancos e mercado imobiliário estão melhores posicionados para enfrentar a turbulência econômica do que antes da recessão de 2007-09.

- Os balanços do setor privado estão em boa forma - disse Mateus Luzzetti, economista para os EUA do Deutsche Bank Securities.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos