Como a tecnologia digital pode ajudar no combate ao coronavírus

Pedro Doria

O número de pessoas circulando na estação Termini, onde chegam os trens em Roma, está a 30% do habitual. Sabemos disso porque o Google acompanha o ir e vir de todo celular Android. O digital produz inúmeras informações do tipo. Mas, além de confirmar que a Itália parou, estas tecnologias podem também ajudar no combate ao novo coronavírus por dois caminhos. Um é o encontro entre inteligência artificial e a produção científica tradicional. O outro é na simulação de vacinas e remédios.

Do final de dezembro para cá, mais de 2 mil artigos científicos já foram publicados sobre o vírus por trás da pandemia. São as pistas encontradas por pesquisadores. Um grupo liderado pela Microsoft e pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, financiado pela fundação criada por Mark Zuckerberg do Facebook, está montando um banco de dados com estes e mais 29 mil outros papers relacionados ao assunto. O objetivo é usar um algoritmo de inteligência artificial para cruzar todas as informações ali e buscar relações. Muitas vezes o achado de um cientista, em conjunto com o de outro, pode levar a uma descoberta ainda maior.

Por enquanto, a dificuldade está na burocracia do século 20. Mais de metade dos artigos não podem ser usados por restrições de copyright das revistas que os publicam.

Outro modelo é o de startups como a britânica Exscienta, que também usa inteligência artificial, mas para construir um modelo virtual do vírus. Isto permitiria o teste, na tela do computador, de drogas já existentes. Uma simulação que pode dar pistas de como tratar, com o que já existe, de pacientes com a Covid-19.

Há muita gente trabalhando a todo vapor — gente e máquinas. E é quase certo que o digital fará parte da solução.

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