Como uma piada sobre a China fez uma empresa colocar R$ 112 bi em risco

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Jamie Dimon, chairman & CEO of JP Morgan Chase & Co., arrives to testify before a House Financial Services Committee hearing on
Jamie Dimon, chairman e CEO of JP Morgan Chase & Co, responsável pelo comentário
  • Jamie Dimon, CEO do JPMorgan fez uma piada entre o banco e o país;

  • Chineses são conhecidos por reagir a ataques ao país, mas desta vez, não reagiram;

  • JPMorgan tem ao todo US$ 20 bi em ações no país asiático;

Na última quarta-feira (24), uma piada colocou em risco ações de quase US$ 20 bilhões (R$ 112,4 bilhões) investidos no mercado chinês, a segunda maior economia do mundo. Jamie Dimon, CEO do banco de investimentos JPMorgan fez uma piada relacionando a robustez do banco com a sobrevivência do Partido Comunista da China no poder do país asiático, de acordo com informações da Bloomberg. 

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Durante um evento público nos Estados Unidos, Dimon queria divertir seu público falando sobre o tempo que o JPMorgan estará estabelecido na China e a sobrevivência do Partido Comunista no poder: “Esperamos estar lá por um longo tempo. O Partido Comunista Chinês tem 100 anos, assim como o JPMorgan. Mas aposto que sobreviveremos por mais tempo”, completou. 

Chineses são conhecidos por reagir a ataques ao país, mas desta vez, não reagiram

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a piada deixou o banco em estado de atenção, com membros da equipe de relações governamentais do banco e escritórios da China discutindo internamente sobre os comentários de Dimon. Enquanto alguns executivos expressaram preocupação com a possibilidade de a piada ser considerada insensível, a equipe de relações governamentais disse ao grupo que Dimon pretendia enfatizar a longevidade dos negócios do JPMorgan na China em vez de criticar o partido.

A situação colocou em risco a expansão do banco no país, uma vez que o JPMorgan acabava de obter autorização para ser a primeira empresa estrangeira a deter a totalidade do capital de uma sociedade gestora na China. Este é um grande sinal de confiança do governo chinês ao banco de investimentos, que aposta muito no país. O banco liderado por Jamie Dimon tem quase 20 bilhões de dólares de exposição à segunda maior economia do mundo e, acima de tudo, grandes ambições para sua expansão contínua.

Quando questionado sobre um comentário em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse: “É realmente necessário citar tais observações que são meramente para atrair a atenção das pessoas?”. A mídia chinesa, muitas vezes rápida em criticar as ofensas contra o país por parte de empresas internacionais, segundo a Bloomberg, ignorou a piada de Dimon, mesmo quando escreveu sobre vários de seus outros comentários sobre criptomoedas e riscos de política norte-americana.

A China tem um histórico de tomar medidas contra empresas e indivíduos que parecem menosprezar o governo ou desafiar suas políticas, especialmente em questões delicadas, incluindo Taiwan, que Dimon também fez referência na terça-feira. Em 2019, o banco suíço UBS foi pressionado a demitir seu economista-chefe, Paul Donovan, depois que ele fez um comentário sobre um “porco chinês” em uma nota sobre o aumento dos preços ao consumidor. Mais tarde, ele se desculpou, dizendo que era "intencionalmente inocente".

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