Compartilhamento de histórico bancário pelo open banking começa nesta quinta; saiba como vai funcionar

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Na próxima quinta-feira, dia 15 de julho, tem início a segunda fase do Open Banking — transformação que está sendo implementada pelo Banco Central do Brasil e que pretende mudar o nosso sistema financeiro, tirando o poder dos bancos e colocando-no nas mãos dos clientes. Nessa etapa, o consumidor poderá autorizar o compartilhamento de seus dados pessoais com instituições financeiras. De acordo com especialistas, esse movimento amplia a concorrência e pode baratear o acesso ao crédito no mercado brasileiro.

Com essa novidade, a era dos empréstimos com altos juros e de cartões com anuidades caras pode estar chegando ao fim. Para o diretor da consultoria Bip, Luigi Lervolino, os benefícios não param por aí. A expectativa é que, além da melhora nas taxas de juros, a concessão de crédito seja mais rápida, mais digitalizada e em maior volume.

— Os bancos estão se preparando muito para isso. Instituições que levavam até uma semana para conceder crédito podem passar a autorizar dentro de um único dia. E até mesmo quem teria o pedido negado por falta de histórico na instituição pode levar vantagem ao ter a solicitação aprovada — explica Lervolino: — outra coisa que vai acontecer também é que para abrir conta você não vai mais precisar mandar aquela série de documentos, como comprovante de renda e de endereço.

O open banking também irá permitir que as instituições ofereçam produtos personalizados, de acordo com as necessidades e condições financeiras de cada cliente.

— Se você abre conta em um banco digital, ele vai poder te oferecer um limite mais alto de cartão de crédito a partir do seu relacionamento com o banco tradicional. Um outro exemplo é um cliente que começa a comprar muitas fraldas. Pelo histórico da fatura, a instituição vai saber que teve filho e vai oferecer um seguro de vida — diz o diretor da consultoria Bip.

No Reino Unido, após implementação do Open Banking, os cidadãos relataram melhora em sua gestão financeira. Isso também pode acontecer no Brasil a partir das próximas etapas, já que será possível monitorar todas as dívidas e investimentos de um só lugar. Os aplicativos poderão oferecer serviços de comparação de produtos, tarifas, além de aconselhamento financeiro.

— Você vai entrar num lugar só e conseguir enxergar toda a sua vida financeira, tendo acesso a produtos mais interessantes e mais eficientes — afirma Eduardo Bruzzi, sócio do Lima ≡ Feigelson Advogados e responsável pelo setor regulatório de Banking, Payments & Fintech.

Todo o fluxo de informação, porém, será protegido por sigilo bancário. E o consentimento terá que ser dado a cada instituição para finalidades específicas, diferente do que acontece com autorizações dadas para a Lei Geral de Proteção de Dados que não têm prazo determinado.

— Vai fazer parte do nosso dia a dia dar a instituições de pagamentos diversos consentimentos, com prazo máximo de 12 meses. Porém, esse tempo tem que ser compatível com a finalidade a que se destina. Se eu dei o consentimento para contrato de três meses, o acesso aos dados não poderá perdurar por um ano — orienta Bruzzi.

Bruzzi alerta para golpes de engenharia social, ou seja, em que golpistas tentam convencer os consumidores a passarem suas informações pessoais, que usem o termo open banking. Toda e qualquer autorização deverá ser feita direto com a instituição bancária, por aplicativo ou pelo Internet Banking.

— O consentimento não vai ser dado pelo site do Banco Central, nem mesmo vão te mandar um link pelo Whatsapp para dar seu consentimento. Se receber qualquer mensagem desse tipo, desconfie — alerta o advogado: — Caso você esteja procurando um banco X para ver se ele tem um cartão de crédito mais interessante ou um crédito mais barato, o seu consentimento deverá ser dado diretamente a ele, sem intermediários.

Somente as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central podem participar do ecossistema do Open Banking. Há participantes obrigatórios e voluntários, de acordo com o porte da instituição e do dado ou serviço que está sendo compartilhado. Para conferir a lista completa de participantes, clique aqui.

1ª fase - 01/02/2021

2ª fase - 15/7/2021

3ªfase - 30/08/2021

4ª fase - 15/12/2021

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