Competições escolares formam alto número de atletas olímpicos, aponta estudo

Luciano Ferreira
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A paixão e o envolvimento dos jovens estudantes com o esporte começam cedo no Brasil, e isso resulta em um número considerável de atletas olímpicos descobertos ainda nas escolas do país. É o que aponta um estudo da Revista Brasileira de Ciência e Movimento, da Universidade Católica de Brasília, realizado por meio de um levantamento entre atletas brasileiros que chegaram a uma Olímpiada e que tiveram passagem pelos Jogos Escolares entre 1969 e 2014.

Segundo a pesquisa, entre as modalidades estudadas, dos 433 atletas que estiveram nessas competições, 43,4% deles disputaram uma Olimpíada, entre as edições de 1972 (Munique) e de 2016 (Rio): atletismo (45,6%), natação (32,5%), judô (46,8%) e ginástica rítmica (66,7%). De acordo com o estudo, “um dos aspectos da sustentação do esporte de base está nas competições escolares, já que sem elas não há como descobrir talentos”.

Como termo de comparação com outros países, um estudo recente no Reino Unido apontou que 56 dos 382 atletas que representaram o país nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, estiveram em competições escolares antes de se profissionalizarem, o que equivaleu a 15% da delegação britânica na competição.

No entanto, o estudo destaca que, “para atingir o objetivo da democratização do esporte, é importante o estabelecimento de ‘escolas de esporte para todos’ e não apenas ‘escolas especializadas em esporte para talentos esportivos’”.

Para os pesquisadores, “a preocupação em estabelecer relação entre os jogos escolares e a participação nos Jogos Olímpicos tem amparo nas pesquisas feitas por especialistas”, uma vez que elas indicam o importante papel da relação entre esporte e escola “para a ampliação da base esportiva”.

O estudo conclui que, dentre as modalidades estudadas, um “número significativo de atletas escolares chegaram às Olimpíadas”, tanto em termos absolutos (principalmente atletas da natação e do atletismo) quanto relativos (neste caso, grande parte no judô e na ginástica rítmica). O levantamento indica ainda que, para atletas do sexo feminino, a importância dos jogos se deu, principalmente, pela afirmação das atletas no cenário esportivo com o passar dos anos.