Complexo Penitenciário de Gericinó ganhará usina e será o primeiro sustentável do País

As 400 toneladas de lixo produzidas mensalmente por 27 mil homens e mulheres que cumprem pena de reclusão no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio, serão transformadas em energia. Esse é o objetivo do termo de cooperação técnica firmado ontem entre a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do estado do Rio (Agenersa) com vistas à construção de uma Usina de Recuperação Energética (URE) de Biodigestão no local.

O equipamento fará de Gericinó o primeiro conjunto de presídios sustentável do país e o primeiro a receber uma URE, que terá porte e características industriais com capacidade para gerar um total de 720 mil KWh por ano, o equivalente ao consumo de 300 residências. O processo aproveitará o potencial energético do lixo produzido no complexo — garrafas pet, plástico, papel, papelão, comida e alumínio, entre outros — que atualmente é descartado em aterros sanitários. A usina receberá ainda o esgoto dos presídios cujo sistema passa por obras de reestruturação. Os dejetos serão convertidos em lodo ativado e, em seguida, transformados em biogás.

A pauta ambiental e da sustentabilidade é uma das prioridades do governo, por isso temos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como principal diretriz das ações que desenvolvemos na SEAP. A Usina de Recuperação Energética de Gericinó é resultado disso.

— Vamos seguir construindo equipamentos que contribuam para o meio ambiente e criem novas oportunidades de ressocialização para os privados de liberdade - disse a secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel, fazendo referência aos ODS propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que incluem “assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia”.

A receita gerada com a geração de energia pela URE de Gericinó será revertida para a própria Seap por meio do Funesp, fundo penitenciário que permite que os valores sejam reinvestidos no sistema penitenciário. Os recursos podem ser empregados, por exemplo, para pagamento de mão de obra prisional. A Seap prevê ainda redução nas despesas com a coleta de resíduos dos presídios já que grande parte do lixo necessário para o funcionamento da URE será processada no próprio complexo.

A previsão é de que a usina de biodigestão do Complexo de Gericinó entre em operação até junho de 2024. O processo de licenciamento ambiental da obra será iniciado imediatamente e deve levar pelo menos seis meses para ser concluído. A construção da usina começará de fato em abril do ano que vem.

Criado em 1987, o Complexo Penitenciário de Gericinó é composto por 25 unidades prisionais, entre as quais hospitais, institutos e penitenciárias. A primeira unidade no local foi a penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, mais conhecida como Bangu 1, de segurança máxima. É um dos complexos mais conhecidos do país com apenados que vão desde conhecidos políticos a grandes chefes do tráfico.