Componentes do Império Serrano contam que também tiveram problemas fantasias

Cíntia Cruz
Babi Cruz ajudou financeiramente a escola

RIO - Com o enredo “Lugar de Mulher é onde ela quiser!”, o Império Serrano estava confiante de fazer um desfile marcante na Marquês de Sapucaí. Mas os problemas com o carro-abre alas e a ala das baianas foram obstáculos para a agremiação de Madureira. As baianas desfilaram sem saia e isso causou tristeza e revolta entre os integrantes. Mas elas não foram as únicas que tiveram problema com a fantasia.

Um dos compositores do samba-enredo deste ano, Carlos Sena, também ficou sem sua camisa. Ele passou o dia na quadra da escola e contou que o clima era de tristeza.

— Vi tudo pela TV com o coração partido. Senti a maior tristeza. Queria desfilar com a camisa da escola, mas quando vim buscar, estava apertada. Ainda tentei levar para uma costureira, mas não deu tempo — disse Sena, lamentando o pouco tempo que a escola teve para preparar seu carnaval:

— Foi problema financeiro, falta de patrocínio. A escola fez das tripas coração para colocar carnaval na Avenida faltando 20 dias para o Carnaval começar.

Já o mestre Flavinho, ritmista e chefe da ala da comunidade da escola, atribuiu os problemas do Império à atual gestão:

— Entristece ver a falta de comprometimento da gestão da escola. Esse descaso já é reincidente. Na bateria, veio faltando fantasia, ornamento de cabeça. A presidente pegou 28 fantasias da ala da comunidade para distribuir não sei para quem. O Império Serrano é gigante e não merece esse descaso.

Outra integrante, que preferiu não se identificar, também reclamou por ter ficado sem fantasia. Ela disse que algumas integrantes chegaram a assinar uma carta de repúdio:

— Pagamos R$ 300 pela nossa fantasia que não seria essa e ontem eles nos entregaram essa roupa. Brigamos, discutimos e fizermos um documento assinado por 27 mulheres negras do carro de todas as profissões, que acreditaram no carro da realeza negra. Vamos disponibilizar esse documento nas redes sociais como ato de repúdio, e as mulheres querem ser ressarcidas. Uma vergonha!

O EXTRA tentou contato com a presidência da escola, mas ainda não teve resposta.

Vaquinha para pagar fantasias

Mulher do cantor e compositor imperiano Arlindo Cruz, Babi Cruz é torcedora da Mocidade, mas tem uma história de amor com o Império Serrano, escola que acompanha há 31 anos. Para Babi, falta união entre os imperianos:

— O Império é uma escola que ensina o samba ao pé da letra e exporta sambistas para o mundo. É lastimável e triste a desunião que existe internamente na escola. Acho que os imperianos tinham que preservar a instituição que é o maior e o mais importante, e não le var para o lado pessoal. Ninguém faz carnaval sozinho.

Babi contou ainda que chegou a ajudar a escola financeiramente:

— 48 horas antes do desfile, caí dentro do barracão, senão seria bem pior do que a gente viu. A fantasia de mestre-sala e porta-bandeira não sairiam. Ajudei financeiramente a escola, algo que o Arlindo sempre fez. Conseguimos fazer vaquinha com alguns amigos para resolver problemas emergenciais que surgiram.

Sobre as críticas à presidente da agremiação, Babi disse que não está em nenhum dos lados e avaliou a atual gestão:

— A gestão foi bem oscilante. Ela pegou o Império com muitas dívidas, processos trabalhistas e, para começar a fazer o carnaval, tinha que honrar. Pagou mais de R$ 7,5 milhões de dívidas. A gestão dela oscilou. Tiveram carnavais bons e outros não.