Comportamento dos adolescentes desperta preocupação, revela pesquisa

É urgente uma reflexão nas escolas, mas sobretudo nos lares brasileiros, sobre os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada nesta semana pelo Instituto Brasileiros de Geografia e Estatística (IBGE). Realizado com alunos do 9º ano do ensino fundamental das redes pública e privada das capitais, o levantamento analisa o período entre 2009 e 2019 e revela um quadro preocupante.

Aumentou o percentual de jovens que experimentaram bebidas alcoólicas (de 53% em 2012 para 63% em 2019, com destaque para as meninas) e drogas (de 8% em 2009 para 12% em 2019, também com um empurrão das meninas). Na mão contrária, entre 2009 e 2019, o percentual dos que usaram camisinha na última relação sexual caiu de 72,5% para 59%.

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Esses problemas são comuns a todas as classes sociais, e a discussão sobre o que fazer costuma ser prejudicada por questões culturais. Não raramente ouve-se o argumento de que beber faz parte das descobertas da adolescência. Pais e mães lembram as próprias experiências com saudosismo. Quem mostra preocupação ainda corre o risco de ser tachado de “exageradamente conservador”.

É inequívoca, porém, a correlação entre o consumo de álcool entre adolescentes e o aumento na probabilidade de morte, de acidente, de problemas no desenvolvimento cerebral, de fazer sexo sem proteção, de ser vítima de abuso sexual e de tornar-se dependente na vida adulta. O fato de muitos passarem pela adolescência sem tais dificuldades não muda a realidade: consumir álcool tem efeitos nocivos.

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Pesquisas realizadas em diferentes países mostram que o uso do álcool entre adolescentes é crescente. A Organização Mundial da Saúde estima que 155 milhões bebam costumeiramente — um grave problema de saúde pública.

No consumo de drogas, a pesquisa do IBGE revela maior precocidade. Os estudantes expostos a elas antes dos 14 anos foram de 3,5% em 2009 para quase 6% em 2019. “A tendência é decrescente para os meninos das escolas privadas e crescente para meninos de escolas públicas e meninas de ambas as redes, chegando a um aumento expressivo de 164,6% entre as meninas das escolas públicas em dez anos”, diz o sanitarista Marco Andreazzi, do IBGE.

Em 2009, 28% dos adolescentes do 9º ano diziam já ter mantido relações sexuais, mesmo patamar de dez anos depois. A queda se deu no uso de preservativo, aumentando a exposição a doenças sexualmente transmissíveis e à gravidez precoce.

Nas escolas, é comum que temas como álcool, drogas e sexo sejam motivo de discórdia. Os pais exigem ações dos educadores, e os professores dizem que festas e “rolês” ocorrem em horário de lazer. O caminho para resolver os problemas passa por reconhecer que são graves — e por um trabalho conjunto de pais e educadores.

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