Compositor de mais de 50 hits, Raffa Torres se lança como cantor e emplaca tema de novela: ‘Cantar vai além da vaidade’

Naiara Andrade
Raffa Torres gravou seu primeiro DVD com o público que conquistou no Instagram

“A vida é um rio/ Estamos no mesmo barco/ Remaremos juntos/ Pra onde vai esse rio/ Ainda não sabemos/ Mas remaremos juntos/ Ainda temos estrelas pra alcançar/ Sonhos pra sonhar/ Flores pra regar/ Mas precisamos fazer isso juntos/ E vamos fazer isso juntos/ Uoh ô ô ô/ Não seremos os mesmos jamais/ Uoh ô ô ô/ Se a gente falar menos e agir mais”. A música que embala de maneira romântica o casal Téo (Felipe Simas) e Luna (Juliana Paiva), em “Salve-se quem puder”, é a mesma que tem emocionado muita gente em tempos de isolamento social, por falar de incertezas, esperança e união. Raffa Torres é a assinatura do artista que está por trás da canção.

— Sempre sonhei ter uma música em novela. Como compositor, bati na trave algumas vezes. Mas Deus abençoou no tempo certo, de um jeito completo, com uma música escrita e cantada por mim. “A vida é um rio” é a minha preferida, tem muito a ver com a situação atual. Que ela possa confortar os corações e fazer as pessoas entenderem que, mesmo isoladas, não estão sozinhas. A gente se isola para poder estar junto — diz o paulistano, de 29 anos, que participou de uma cena da trama das sete cantando durante um jantar do casal: — Foi minha primeira vez nos Estúdios Globo. Que lugar incrível! O pessoal me recebeu muito bem... A Juliana e o Felipe com um brilho no olhar, uma humildade!

Com 167 composições registradas em seu nome, Raffa celebra o fato de ao menos 50 delas virarem sucesso nas vozes de artistas como Luan Santana, Marília Mendonça, Marcos e Belutti, Matheus e Kauan, Anitta, Jorge e Mateus, Fernando e Sorocaba, Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marrone... Ele é o quarto entre os autores que mais receberam direitos autorais em 2019 junto ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).

— O pessoal pensa que é mais do que realmente é... Não é tanto assim, não (risos) — desconversa, ao ser questionado se já ficou rico por isso.

Apesar de bem-sucedido como compositor há pelo menos cinco anos, ele só se lançou profissionalmente como cantor em agosto passado, depois de gravar um DVD em maio com casa lotada pelos seguidores que arrebatou no Instagram (hoje, são 362 mil em sua rede).

— Se por um lado eu já tinha adquirido um certo respeito e reconhecimento no meio, por outro, tive que começar do zero. Estou em fase de divulgação das músicas. Viajei oito semanas seguidas, rodando milhares de quilômetros de carro nas visitas a rádios do Brasil todo. Comecei a remar de novo, mas é muito gostoso. Eu sempre quis isso pra minha vida — celebra o artista, completando: — O comentário mais frequente que eu ouço é “Sua voz me traz paz, me acalma”. Isso me motivou, entendi que tinha um porquê. Cantar era um propósito além da vaidade, da fama. Transformar a vida de alguém com a minha música é a missão. Quero poder cantar a vida toda para quem gosta de me ouvir.

“Chavesmaníaco”, como ele se autodefine, Raffa Torres coleciona em casa mimos com o tema, ofertados pelos seus mais de 60 fã-clubes.

— Tenho travesseiro, estátua, cofre, moletom, camiseta, copo, caneca... Sei todos os episódios e as falas de cabeça — conta ele, que compôs e gravou a canção “Chavinho”: — Temia que levassem para o lado do humor, mas já vi gente chorando ao ouvi-la.

Um dos mais emocionados foi o técnico de gravação Waldir de Melo Cruz, mais conhecido como o Seu Madruga do “Altas horas”. Raffa participou do programa de Serginho Groisman, ao lado dos ídolos Chitãozinho & Xororó, no último dia 29 de fevereiro.

— Eu sempre quis conhecê-lo. Cantei pra ele, que se emocionou. Parecia um sonho! — confessa.