'Compra o chumbinho e dá o vidro pra mãe', escreveu filha afetiva de Flordelis a irmão

O Ministério Público e a defesa dos réus fazem os últimos debates antes de o Conselho de Sentença decidir se os acusados serão condenados ou absolvidos. Além da pastora, são julgados André Luiz Oliveira, filho afetivo que foi o primeiro interrogado neste sábado; Marzy Teixeira, filha afetiva; Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica da pastora; e a neta Rayane Oliveira. Os promotores mostraram também uma troca de mensagens entre os réus Marzy e André. Nas mensagens, a filha adotiva de Flordelis pede para o irmão “comprar chumbinho e dar o vidro para a mãe”.

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“Ela quer pra hoje. Ela disse que esse é o único que funcionou. Os outros têm cor”, escreveu Marzy.

"Vamos ver se ele está lá hoje. Vamos que vamos", mandou, em áudio, André, que completou depois: “Achei, achei achei. Glória, Glória e Glória”.

Além do envolvimento na morte do pastor Anderson do Carmo em 2019, uma das acusações que os réus enfrentam é sobre uma tentativa de envenenamento do pastor antes de seu assassinato, o que também foi negado pela ex-deputada. Em uma mensagem enviada por um telefone da filha, Flordelis teria dito para dar um “arrozinho” para Anderson.

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O Ministério Público abriu sua fala dizendo aos jurados que o julgamento durou seis dias porque se tornou dois: um dos cinco réus que respondem pela morte de Anderson do Carmo e outro do próprio pastor. Os relatos de supostos abusos sexuais foram tratados como “a mais nova tese” dos defensores e que “viola a memória da vítima”.

— Fizemos dois júris aqui. São cinco as pessoas que vieram ser julgadas, mas o que vimos foi uma tentativa da defesa fazer o Anderson sentar no banco dos réus. Morto não fala. Na visão do Ministério Público, essa tese de conveniência é violadora da dignidade e da memória da vítima. A vítima é Anderson, que foi encontrado com 30 perfurações, de cueca, na porta de casa. A tese dos abusos sexuais é a mais nova. A primeira que surge é o latrocínio, que durou um dia. Quer se fazer uma releitura e jogar nessa história pontos de abuso — afirmou Mariah Paixão, promotora do Ministério Público.

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Cada lado terá duas horas e meia para pedir a absolvição ou a condenação dos réus. Poderá haver ainda, pelo menos, duas horas para réplica e o mesmo tempo para tréplica. Os mesmos advogados defendem Flordelis, Rayane, André e Marzy. Apenas Simone é representada por outra advogada, Daniela Grégiorio. Após os debates, os sete jurados, quatro mulheres e três homens, irão se reunir na “Sala Secreta” para decidir o futuro dos réus. Eles são moradores de Niterói e não necessariamente possuem formação jurídica.

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