Rússia impõe condições para aceitar investigação da OPAQ sobre caso de espião

Moscou, 2 abr (EFE).- A Rússia alertou nesta segunda-feira que só aceitará os resultados das investigações feitas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) sobre o caso do ex-espião russo envenenado no Reino Unido se o trabalho contar com a participação de especialistas do país.

O alerta foi dado pelo representante russo na Opaq, Aleksandr Shulguin, citando as investigações em andamento sobre a substância usada para envenenar o ex-espião Sergei Skripal e sua filha.

Shulguin também afirmou que os especialistas da Opaq devem limitar a investigação à composição química usada no Reino Unido, sem indicar o país de procedência ou identificar responsáveis.

"O mandato não contempla isso", disse o representante russo.

A Opaq já recebeu e analisou duas amostras enviadas pelo Reino Unido, de acordo com Shulguin. Os resultados da investigação devem ser divulgados no fim desta semana ou no início da próxima.

O representante russo denunciou que especialistas do país não estão participando da investigação. Quando o Kremlin pediu à Opaq acesso ao teste realizado no Reino Unido, a organização respondeu que precisa de aprovação do governo britânico.

"Tendo em vista a postura do Reino Unido de rejeitar qualquer cooperação conosco, não podemos esperar uma resposta positiva", disse Shulguin. "Defendemos uma investigação multilateral, aberta e imparcial, que conte com nossos especialistas", completou.

Quanto à sessão extraordinária da Opaq convocada para quinta-feira a pedido da Rússia, o representante disse que a reunião é uma tentativa do Kremlin de tirar a situação do "beco sem saída" para o qual o caso está sendo levado pelos britânicos.

"Estamos abertos ao diálogo. Somos obrigados a apresentar uma opção de solução para tentarmos esclarecer a situação exclusivamente no âmbito legal da Convenção de Proibição de Armas Químicas", disse.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou Reino Unido, Estados Unidos e outros países que "os seguem cegamente" de deixar de lado os bons costumes e "mentir abertamente" sobre o caso do ex-espião envenenado em território britânico.

"A Rússia não tem nada a ver com o envenenamento dos Skripal e estamos muito interessados, acredito que mais do que nenhum outro país, que a verdade seja estabelecida", afirmou o chanceler. EFE