Comunidade asiática na Liberdade, em SP, teme ameaça do coronavírus

Ana Letícia Leão

Apesar de ainda não haver registro de casos confirmados de Coronavírus no Brasil, os mais de 7 mil infectados em todo mundo e as 170 mortes em decorrência do vírus na China têm deixado a comunidade asiática de São Paulo apreensiva.

Segundo comerciantes da Liberdade, bairro da região central da capital paulista que concentra grande número de asiáticos, o movimento em lojas e restaurantes locais segue normal. Porém, lojistas temem um possível contato com a vírus, uma vez que muitos chineses viajaram ao país asiático para passar as festas de fim de ano e voltarão ao Brasil em breve.

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Vendedora de eletrônicos em uma das galerias da Liberdade, a coreana Cristina Um é "vizinha" de comerciantes chineses. Segundo ela, a preocupação em ser infectada existe porque colegas que trabalham no mesmo local têm familiares que estão retornando ao Brasil nesta semana.

“Quem veio da China não virá até a galeria, mas quem tem contato com eles, sim. Eu preferia que eles ficassem em casa, mas não tenho como impedir que venham trabalhar. Me pergunto como será, porque eles vão conviver com quem veio de lá (da China). A gente não quer demonstrar, mas é algo que causa certa apreensão, sim”, relata.

Diante do contato diário com grande parte da comunidade chinesa que não terá como ser evitado, segundo a lojista, seus funcionários serão orientados a tomar medidas de precaução:

“Vamos usar máscaras e álcool em gel. Precisamos evitar problemas, e nosso corpo deve estar forte para aguentar o contato.”

CHEFE “PRESA” NA CHINA

Já para a brasileira Paula Melo, o surto de coronavírus na China afetou a rotina de trabalho no Brasil. Funcionária de uma loja chinesa que vende bolsas, ela abria e fechava a loja na região da Liberdade diariamente, com direito a uma folga semanal. Nas últimas semanas, entretanto, está sem tirar folga porque a dona da loja não consegue sair da China em função do vírus.

“Ela não está infectada, mas está trancada dentro de casa desde o Ano Novo chinês. Já falei para minha patroa que, quando ela voltar, vamos falar só pelo WhatsApp”, brinca.

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Para taiwanesa Chaene Chen, de 42 anos, proprietária de uma das lojas de produtos orientais na Liberdade, a preocupação maior é em relação à escola chinesa em que estudam os filhos, de 5 e 8 anos, em São Paulo. Segundo ela, muitas crianças passaram férias na China.

“Amanhã (hoje) voltam as aulas, e estou apreensiva. Mas eles terão de ir, não tem jeito. A escola está orientando os pais que estiveram com as crianças na China que fiquem pelo menos 15 dias em casa”, explica.

No Brasil, o Ministério da Saúde investiga nove casos suspeitos do novo coronavírus (2019-nCoV), em seis estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Ceará.

Em todo o mundo, o vírus chegou a países como Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Austrália, Estados Unidos, Rússia, França e Alemanha, Finlândia e Emirados Árabes.

A Organização Mundial de Saúde elevou a avaliação de risco internacional para "alto" em todo o planeta e deve decidir hoje se declara a epidemia uma "emergência global".