Comunidade de e-sports reage à fala de Moser sobre indústria ser 'entretenimento'

Em uma entrevista, a recém-empossada Ministra dos Esportes, Ana Moser, afirmou que vê os jogos eletrônicos como parte de uma "indústria do entretenimento", e declarou que a pasta não prevê investimentos na modalidade. A fala logo repercutiu entre jogadores, streamers e donos dos times competitivos, com críticas ao posicionamento da representante da pasta.

Em uma transmissão ao vivo, Gabriel Toledo, campeão mundial de CS:GO conhecido como FalleN, foi mais moderado e pregou o diálogo entre a comunidade e o poder público. De acordo com ele, o posicionamento do ministério pode acabar atrasando as conquistas da modalidade, mas acredita que é possível reverter o cenário.

—Eventualmente, cedo ou tarde, a gente vai precisar ter algumas regulações para o esporte eletrônico no país. São coisas que já estão acontecendo em outros países. Quem sabe com diálogo e apresentando ideias, seja possível mostrar uma outra faceta, porque eu acho que é importante, sim, ter ações reguladas, que abram oportunidades para fazer coisas bacanas nos esports, leis que ajudem os profissionais, os atletas que estão vindo, leis que ajudem as empresas a também investirem neste mundo — comentou.

Outros grandes nomes dos e-sports preferiram uma abordagem mais crítica, utilizando ironias. Na entrevista, Moser falou que "o atleta de esports treina, mas a Ivete Sangalo também treina para dar show e ele não é atleta, ela é uma artista que trabalha com entretenimento". O streamer Gaules, principal figura das transmissões de campeonatos de jogos eletrônicos no Brasil, publicou nas redes sociais um anúncio de início de live com uma mensagem para à ministra.

Já a apresentadora de competições Nyvi Estephan acredita que a categoria não deve ficar submetida à pasta dos esportes, afirmando que a indústria possa ser melhor aproveitada em outra área do governo, como no Ministério da Ciência e Tecnologia. Em uma série de publicações no Twitter, ela expôs sua opinião, afirmando que a regulamentação "da mesma maneira que é feito nos esportes tradicionais" poderia ser um retrocesso. "Parece que voltamos 10 anos quando o assunto era discutido", expressou.