Comunidade internacional alerta para risco de golpe de Estado em Mianmar

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Policiais posicionados em 29 de janeiro de 2021 em uma estrada que leva à capital de Mianmar

Mais de uma dúzia de embaixadas, incluindo a dos Estados Unidos e a missão da União Europeia, instaram Mianmar nesta sexta-feira (29) a "aderir às normas democráticas", juntando-se à ONU em sua preocupação sobre um possível golpe de Estado em preparação.

Mianmar pôs fim, há dez anos, a um regime militar no poder há quase meio século. Elaborada pela Junta, a Constituição prevê uma divisão de poderes entre civis e generais no país.

Há semanas, o poderoso Exército não para de fazer denúncias de irregularidades nas eleições gerais de novembro passado, vencidas pela Liga Nacional para a Democracia (NLD), partido de Aung San Suu Kyi - já no poder.

Os militares exigiram a possibilidade de verificar as listas eleitorais. O pedido foi reiterado pelo porta-voz do Exército na terça-feira, em uma coletiva de imprensa na qual não descartou uma tomada do controle do país para lidar com o que chamou de crise política.

Os temores aumentaram ainda mais na quarta-feira, depois que o chefe do Exército, o general Min Aung Hlaing - indiscutivelmente o homem mais poderoso de Mianmar - afirmou que a Constituição do país poderia ser "revogada" sob certas circunstâncias.

A embaixada dos Estados Unidos - com 16 outros países, incluindo a ex-potência colonial britânica e a delegação da UE - emitiu um comunicado nesta sexta, instando os militares a "aderirem às normas democráticas".

"Esperamos a convocação pacífica do Parlamento em 1º de fevereiro, com a eleição do presidente e dos chefes das duas assembleias", afirma o texto.

"Nos opomos a qualquer tentativa de alterar o resultado das eleições, ou de impedir a transição democrática em Mianmar", ressalta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também expressou "grande preocupação" com os recentes acontecimentos em Mianmar, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em um comunicado.

"Exorta todos os atores a se absterem de qualquer forma de incitamento, ou de provocação, a mostrarem responsabilidade, a aderirem às normas democráticas e respeitarem o resultado (das eleições)", acrescentou.

A consulta de novembro foi a segunda eleição democrática realizada em Mianmar desde o fim do regime da junta em 2011. De acordo com os militares, porém, houve 8,6 milhões de casos de fraude eleitoral em todo país - uma alegação que eles querem investigar.

A Comissão Eleitoral divulgou um comunicado na quinta-feira, dizendo que a votação foi livre, justa e confiável, e "(refletiu) a vontade do povo".

Ela negou as denúncias de fraude eleitoral, mas reconheceu "falhas" nas listas de eleitores. A Comissão informou ainda que investiga um total de 287 queixas.

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