Comunidade Judaica de SP se organiza para celebrações religiosas online

Gustavo Schmitt
01.02.2007 - Gabriel de Paiva - RI - Vestígios da colonização judaica no Rio . Grande Templo Israelita , na Rua Henrique Valadares , no Centro

SÃO PAULO. A comunidade judaica de São Paulo se organiza para aderir aos eventos religiosos online e evitar aglomerações por causa do coronovírus. Na noite desta sexta-feira haverá transmissão ao vivo de um shabat para fiéis da Hebraica, Beth-el e da Congregação Israelita Paulista (CIP).

Será a segunda cerimônia virtual desde a última sexta, quando rabinos decidiram reduzir a frequência de pessoas nos eventos religiosos em razão das determinações das autoridades de saúde.

O presidente da Hebraica, Daniel Bialski, explicou que as sinagogas liberais e inclusivas foram receptivas à prática, muito embora o princípio do judaísmo seja o de que as pessoas rezem juntas. Entre os ortodoxos, no entanto, as regras são mais rígidas: é proibido o uso de de telefone e outros equipamentos eletrônicos no shabat. Sendo assim, as famílias destas congregações foram orientadas a rezar em casa.

— O princípio do shabat virtual será o mesmo do presencial: a ideia é que a mensagem de fé, paz e esperança chegue na casa das pessoas, sobretudo nesse momento de incertezas. As pessoas relutavam em fazer a cerimônia fora da sinagoga.O significado de sinagoga é casa de oração e um nossos princípios é que as preces sejam feitas de forma coletiva porque a união de pensamentos torna mais fortes os pedidos de proteção e bençãos. No entanto, agora é uma obrigação e as pessoas não devem ir à sinagoga - afirma Bialski, que é presidente da hebraica e judeu praticante.

Rabino da Congregação Israelita Paulista, Michel Schlesinger, afirma que os cultos online não são costume da fé judaica, embora sejam frequentes em outras religiões.

— Nunca tínhamos transmitido ao vivo até a semana passada. Anunciamos hoje em nosso canais que é proibido ir à sinagoga. Fechou de vez. Vamos afastar as pessoas fisicamente, mas aproximá-las espiritualmente. É doloroso fazer isso, mas o princípio da vida está acima de tudo - afirma o rabino, que se disse positivamente surpreso com mensagens de pessoas que se mudaram de países ou de cidade e que assistiram à cerimônia:

— Estamos atingindo pessoas que há anos não vinham à sinagoga. Alguns se mudaram, outros são idosos e têm dificuldade de locomoção. Essas pessoas estão se reconectando com o judaísmo.

Também representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo intereligioso, Schlesinger, disse que tem mantido contato com líderes de outras religiões e que o desafio de todos eles é semelhante.

— Tenho falado com padres, pastores e scheiks. O desafio é o mesmo. Todos buscam soluções criativas. Esse momento do isolamento pode ser vivido de formas distintas. Entre a apatia e o desespero existe um meio termo. Precisamos ouvir as autoridades e seguir as recomendações. Por outro lado, a histeria também não nos adianta de nada. Equilíbrio é a palavra de ordem.

O shabat será transmitido no site da Congregação Israelita Paulista (CIP) durante 1h30.