Comunidade LGBT+ do Brasil apela ao voto "com orgulho"

Uma multidão em festa pintou, este domingo, a Avenida Paulista de arco-íris. As cores voltaram a São Paulo, após a pandemia ter privado durante dois anos a cidade brasileira da famosa parada realizada pela comunidade LGBT+.

O regresso era aguardado por muitos e, este ano, assumiu um tom mais politizado. Numa alusão às eleições presidenciais de outubro, "Vote com orgulho" foi o tema desta edição.

"É sobre votar, é sobre você ter seu poder de escolha e o seu poder de escolha mudar o mundo", explica Bráulio da Silva, participante da marcha

Também para Hildo Dorivaldo, outro participante, o desfile tem uma mensagem política particularmente importante, tendo em conta os ataques de que a comunidade é alvo.

"A questão do ataque que a gente tem sofrido, até mesmo pelo governo federal, acho que a parada traz isso. Nós existimos, nós estamos aqui e nós queremos respeito", afirma.

O apelo a uma maior consciência política, dizem os organizadores, era suprapartidário. Mas nas ruas tornaram-se evidentes os protestos contra o governo de Jair Bolsonaro.

Apesar de o Brasil criminalizar a homofobia desde 2019, o país tem vindo a assistir a um aumento dos crimes de ódio contra a comunidade LGBT+.

De acordo com um relatório do Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil, em 2021, foram assassinadas no território pelo menos 316 pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo. O número representa um aumento de homicídios de 33,3% em apenas um ano.