Comunistas e liberais protestam por 'eleições honestas' em Moscou

Por Romain COLAS
Militantes do Partido Comunista russo protestam contra a exclusão de dezenas de candidatos às eleições locais de setembro, em 17 de agosto de 2019 em Moscou

Comunistas e partidários da oposição liberal russa foram às ruas neste sábado (17), em Moscou, em um novo episódio de um importante movimento de protesto que abala a capital há um mês, em repúdio à exclusão de candidatos independentes das eleições locais de 8 de setembro.

Iniciada em meados de julho, esta onda de protestos foi fortemente reprimida pela polícia, que prendeu cerca de 3.000 pessoas. Entre os promotores da contestação detidos está o principal opositor do Kremlin, o blogueiro anticorrupção Alexei Navalni.

Embora este sábado esteja mais tranquilo do que as manifestações realizadas nos últimos cinco finais de semana, há uma forte presença policial nas ruas.

- Manifestação solidária -

No início da tarde, debaixo de chuva, cerca de 3.900 pessoas participavam do ato dos comunistas autorizado pelo governo, perto do centro, relatou a ONG White Counter, especializada na contagem de manifestantes.

No sábado passado, mais de 50.000 responderam à convocação da oposição liberal no mesmo lugar. Não se via um protesto desta envergadura desde as manifestações contra o retorno de Vladimir Putin ao Kremlin em 2012.

O movimento começou após a rejeição - oficialmente por vícios de forma - do registro de cerca de 60 candidaturas independentes para as eleições ao Parlamento de Moscou. Encarregado de aprovar o imenso orçamento da capital, a Casa é, atualmente, dominada por legisladores leais ao prefeito pró-Kremlin, Serguei Sobianin.

Em geral considerados uma oposição tolerada pelo Kremlin, os comunistas se uniram ao movimento e convocaram um protesto na Avenida Sakharov para pedir "eleições honestas". Seus candidatos estão autorizados a participar do pleito na capital.

Depois de a prefeitura rejeitar o pedido de uma manifestação neste sábado (17), vários partidários dos liberais decidiram fazer atos solitários, segurando cartazes, em diferentes pontos da capital.

Esta é uma técnica que os ativistas costumam usar na Rússia para se expressar sem precisar de autorização. Podem fazer isso desde que respeitem a distância de 50 metros entre cada manifestante, conforme a lei.

Na última quinta-feira, uma das líderes do movimento, Liubov Sobol, aliada de Navalni, publicou um vídeo on-line, com acusações contra o presidente do Parlamento moscovita. Nele, Liubov diz ter provas de que o político é dono de um luxuoso apartamento, incompatível com os rendimentos declarados.

A organização de Navalni, o Fundo de Luta contra a Corrupção, já havia acusado o vice-prefeito de Moscou de ter desviado milhões de rublos de dinheiro público na gestão do parque imobiliário da cidade. Agora, o Fundo é alvo de uma investigação por "lavagem de dinheiro".

As eleições legislativas de Moscou acontecem ao mesmo tempo que outras disputas regionais e locais em todo país. Anunciam-se difíceis para os candidatos da situação, em um contexto de insatisfação social e de paralisia econômica.