Concentração de espermatozoides caiu 51,6% nos últimos 46 anos em todo o mundo, revela estudo internacional

A concentração de espermatozoides caiu mais da metade em todo o planeta nas últimas cinco décadas, revela um estudo internacional publicado nesta terça-feira na revista científica Human Reproduction Update. Além disso, a velocidade com que essa diminuição acontece acelerou a partir dos anos 2000, para quase o dobro do observado no final do século anterior.

“No geral, estamos vendo um declínio mundial significativo na contagem de espermatozoides de mais de 50% nos últimos 46 anos, um declínio que se acelerou nos últimos anos", resume o autor do estudo, Hagai Levine, professor da Escola de Saúde Pública Hadassah Braun da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, em comunicado.

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O trabalho foi conduzido por uma equipe internacional composta por cientistas da Dinamarca, Brasil, Espanha, Israel e Estados Unidos, liderada por Levine e pela professora da Escola de Medicina Icahn, Mount Sinai, Shanna Swan, em Nova York, Estados Unidos.

Eles analisaram 223 estudos contemplando 288 estimativas da concentração de espermatozoides em 53 países, baseadas em amostras coletadas entre 1973 e 2018. Segundo os resultados, a contagem passou de 101,2 milhões de gametas por mililitro para 49 milhões por mililitro – um declínio de 51,6%. Já a velocidade da queda foi de -1,16% ao ano a partir de 1973, mas acelerou para -2,64%, mais que o dobro, a partir de 2000.

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Em 2017, o mesmo grupo já havia publicado o primeiro trabalho do tipo, porém sem dados suficientes que mostrassem o fenômeno na América do Sul e Central, na Ásia e na África. Agora, com o acréscimo de 44 estudos na análise, trata-se da primeira evidência a comprovar que a queda é global, atingindo todos os continentes. “Pesquisas sobre as causas desse declínio contínuo e ações para evitar mais perturbações da saúde reprodutiva masculina são urgentemente necessárias”, escreveram os pesquisadores.

Os cientistas apenas constataram a queda, sem elucidar no trabalho os motivos por trás do declínio. No entanto, os responsáveis destacam que estudos recentes têm indicado a possibilidade de que distúrbios no sistema reprodutivo durante o período fetal estejam associados ao comprometimento da fertilidade nos homens ao longo da vida. Além disso, chamam atenção para aspectos como a presença de produtos químicos no ambiente que podem estar intensificando essas anomalias.

“Pedimos urgentemente uma ação global para promover ambientes mais saudáveis ​​para todas as espécies e reduzir exposições e comportamentos que ameaçam nossa saúde reprodutiva'', defende Levine.

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Os pesquisadores destacam ainda que o esperma não é apenas um indicador de fertilidade, mas também da própria saúde masculina. Eles afirmam que os níveis mais baixos podem estar ligados a doenças crônicas e a câncer nos testículos.

"Os declínios preocupantes na concentração de espermatozoides masculinos e na contagem total de espermatozoides em mais de 1% a cada ano, conforme relatado em nosso artigo, são consistentes com tendências adversas nos resultados de saúde de outros homens, como câncer testicular, distúrbios hormonais e defeitos congênitos genitais, bem como declínios na saúde reprodutiva feminina. Isso claramente não pode continuar sem controle”, alerta o autor do estudo.