Concerto ‘Cores de Villa-Lobos’ revela nuances do compositor e reúne intervenções artísticas

Lívia Neder

NITERÓI - Música clássica e artes plásticas estão unidas no concerto “Cores de Villa-Lobos”, que terá única apresentação, nesta quinta-feira, no Teatro da UFF. A diversificada obra musical do maestro e compositor será mostrada pela soprano Marina Cyrino e pelo pianista Flavio Augusto. Enquanto canta, o corpo de Marina se transforma numa tela em branco, sobre a qual o artista visual Marc Kraus faz uma pintura inspirada nas variadas nuances do repertório, que reúne um programa abrangente, fazendo um apanhado das diversas fases de Villa-Lobos.

Apresentado pela primeira vez em março, na Cidade das Artes, o concerto marcou o lançamento do CD “Cores de Villa-Lobos”, primeiro disco da soprano. Mineira, Marina morou em Niterói de 1989 a 2008. Nesse período, antes de se mudar para os Estados Unidos, tocou na Orquestra do Abel e cantou no grupo vocal Boca que Usa. De volta ao Brasil em 2010, ela participou de diversos concertos, mas resolveu, recentemente, apostar num projeto intimista. Sua parceria com Kraus não é de hoje.

— Trabalho com o Kraus há uns cinco anos. Ele fazia projeções nos concertos que eu cantava, e sempre ficava muito bonito. Quando montei o CD, fiz um apanhado de vários estilos de Villa-Lobos, que passa por ponto de candomblé, música sacra e tradicional, obras para Broadway até chegar em “A floresta do Amazonas”, que é sua maior obra. Quando sugeri ao Kraus trabalharmos com a ideia de cores, já que estávamos trabalhando com todas as nuances do compositor, ele disse que eu seria a própria tela, e esse trabalho ficou lindo — conta Marina.

Muitos artistas em um

A escolha por homenagear Heitor Villa-Lobos no seu primeiro CD não foi imediata. No início, Marina pensou em fazer um compilado de diversos compositores brasileiros, mas no processo de pesquisa do repertório percebeu que cada obra de Villa-Lobos parecia ser de um compositor diferente. A homenagem coincidiu com os 60 anos da morte do artista.

— Na Cidade das Artes, a reação do público foi muito boa. Muitas pessoas nos procuraram para dizer como ficaram comovidas e se integraram mais ao concerto. Essa proposta torna a apresentação mais envolvente, agradando tanto ao público tradicional de música clássica quanto ao que não está tão acostumado — diz a soprano, pontuando que, em sua imaginação, as cores rosa, amarelo, azul e verde traduzem a obra de Villa-Lobos.

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