Concessão da Cedae já tem 15 empresas interessadas; saiba quais são

Lucas Altino
·2 minuto de leitura
Brenno Carvalho / Agência O Globo

RIO — Apesar do problema recorrente da geosmina e da falta de água enfrentada por moradores da Região Metropolitana, a concessão da Cedae já despertou o interesse de 15 empresas. Nove delas agendaram visitas técnicas, que começaram semana passada e vão ocorrer nas instalações da companhia em 35 municípios do estado. A entrega das propostas vai até 27 de abril. O leilão será dividido em quatro blocos, numa modelagem elaborada pelo BNDES, e a previsão é de investimentos de R$ 30 bilhões em 35 anos, com objetivo de quase universalizar a coleta e o tratamento de esgoto e o fornecimento de água.

Entre os grupos que já declararam interesse, há as chinesas China Gezhouba Group Corporation, State Grid Brazil e China Communications Construction Company; a coreana GSI Inima; a gestora de fundos brasileira Vinci Partners; e a Canadian Pension Plan Investment Board. E já agendaram visitas técnicas as seguintes empresas: Aegea Saneamento; Arcadis; BRK Ambiental; Conen Engenharia; Encibra S.A. Estudos e Projetos de Engenharia; Equatorial Energia S.A; Esse Engenharia e Consultoria; Iguá Saneamento S.A; e Saneamento Ambiental Águas do Brasil S.A.

Já foram feitos cerca de dois mil agendamentos para que representantes dessas empresas conheçam as centenas de instalações da Cedae, segundo a Secretaria estadual da Casa Civil.

Quem vencer o leilão, além de ampliar a coleta e o tratamento de esgoto e o fornecimento de água, terá que investir na despoluição do Rio Guandu e da Baía de Guanabara. Também há projeto para a Bacia de Jacarepaguá, onde serão aplicados R$ 250 milhões na dragagem de lodo, sedimentos finos e lixo de rios poluídos da região e do fundo das lagoas de Jacarepaguá, Camorim, Tijuca e Marapendi.

Enquanto as empresas se preparam para o leilão, os quase dez mil moradores de Pedra de Guaratiba não recebem uma gota de água há três meses. Cansada de insistir com a Cedae para resolver o problema de abastecimento, a comerciante Flávia Cristina Souza da Costa comprou uma bomba e retira três vezes por semana água do mar para limpar a casa. O armazenamento é feito em três reservatórios.

— Eu moro numa área baixa e nem assim a água chega lá em casa. Como ficar com a casa suja tendo uma criança de 7 anos? Aqui são quatro pessoas. Tive que recorrer à bomba e ao mar — contou Flávia, mostrando a pilha de roupas para lavar.