Condenado a 56 anos por 13 roubos está entre presos que não voltaram à cadeia após 'saidão' de Natal no Rio

Dos 1.997 presos que deixaram a cadeia para o chamado "saidão" de Natal no Rio, 393 não retornaram — o equivalente a 20% do total. Outros 1.604 detentos voltaram para as suas unidades prisionais. Os dados são da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio. Os presos foram liberados no último dia 24 e deveriam retornar até as 22h do dia 30.

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Na lista daqueles que não voltaram, há um detento condenado a 56 anos, um mês e 19 dias de prisão em 13 diferentes processos por roubo. Valquírio de Mattos Correa, de 48 anos, estava preso há quase 10 anos, sem interrupções, e essa era a sua primeira saída da cadeia para visitar a família. Ele tinha conseguido o benefício no início de dezembro do ano passado. Valquírio já tinha sido preso outras quatro vezes. Em uma delas, também fugiu. No total, ele já cumpriu 19 anos, dois meses e três dias de pena. Ainda restam 36 anos, 11 meses e 16 dias.

Os presos que têm direito a usufruir do "saidão" de Natal são aqueles que cumprem pena no regime semiaberto e possuem autorização da Justiça para visitar a família, na chamada Visita Periódica ao Lar (VPL). Nela, os detentos têm direito a ficar fora do presídio durante sete dias, cinco vezes ao ano, em datas predeterminadas, entre elas, o Natal. O benefício está previsto na Lei de Execução Penal.

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Valquírio estava preso na penitenciária Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. Na unidade, 13 presos que deixaram a cadeia para o "saidão" não retornaram. Raphael Nogueira da Silva, de 30 anos, estava na mesma unidade e também não voltou. Condenado a um total de 22 anos e oito meses de prisão em quatro processos por roubo, era a primeira vez que ele deixava a cadeia em VPL.

Em Campos dos Goytacazes, Elizabeth Soares da Silva, de 63 anos, deixou o presídio Nilza da Silva Santos para o "saidão' e foi outra que não voltou. Há quase 10 anos presa, ela possui condenação de 19 anos e três meses de prisão em dois processos por tráfico de drogas.

Em nota, a Seap informou que comunica "imediatamente à Vara de Execuções Penais (VEP) sobre todos os privados de liberdade que não retornam às suas respectivas unidades prisionais no prazo estabelecido". No entanto, a VEP, pela assessoria de imprensa do TJ, informou que "ainda não foi comunicada formalmente pela Seap sobre este fato".

Em 2022, o número de presos que não retornaram após o "saidão" diminui em relação ao ano passado. No Natal de 2021, dos 1,3 mil detentos que tiveram autorização para passar a festa com familiares, 533 não voltaram, cerca de 41% do total.