'Condomínio Visniec' reúne tipos absurdos em ensaio sobre a solidão

Gustavo Cunha
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Uma fauna de contornos surrealistas dá as caras em “Condomínio Visniec”, montagem levada à cena pela primeira vez em 2019, em São Paulo, e que a partir desta quinta-feira (15/4) ganha temporada virtual — as sessões acontecem de quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h, com ingressos gratuitos por meio do site Plataforma Teatro, até 25 de abril.

Reunião de seis monólogos da coletânea “O teatro decomposto ou O homem-lixo”, do dramaturgo romeno Matéi Visniec, o espetáculo dirigido por Clara Carvalho costura relatos de seis figuras incomuns que vivem uma solidão absoluta em apartamentos de um mesmo edifício. Estão lá tipos inusitados, como uma mulher preocupada com uma invasão de borboletas carnívoras na cidade; um funcionário público e adestrador que oferece seu corpo, toda noite, para uma sorte de animais; e um bicho de maçã em crise existencial ao se descobrir preso num universo doce.

— Basicamente, a peça fala sobre a solidão na metrópole, apresentando seres que moram num mesmo lugar e não se conhecem. Ao mesmo tempo, há uma tinta de esperança ali. A obra de Visniec nunca é algo deprimido e sem saída. Existe um horizonte: todos os personagens acabam caminhando para o mar, o que representa uma espécie de mergulho na riqueza do inconsciente — comenta a diretora, cuja peça montada a partir de oficina com atores do Grupo Tapa foi indicada ao APCA.

Como em outros títulos de Visniec — um dos expoentes contemporâneos do “teatro do absurdo —, há um tipo de humor sofisticado que perpassa situações dramáticas.

— Visniec é da Romênia, país periférico na Europa com vivências de absurdos sociais e políticos. Entre nós, brasileiros, há uma identificação com esse mundo bizarro, e por isso existe tanta ressonância de suas peças por aqui— ressalta Clara.