Conferência da Glocal Experience aborda do incentivo à reciclagem do lixo às fontes renováveis na matriz energética

As toneladas de lixo descartadas na natureza são a mostra visível do quanto ainda é preciso avançar para alcançar as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil, que completa 12 anos. Os desafios locais e globais para tratar desses resíduos, assim como a urgência de uma transição energética, concentraram os debates de ontem, terceiro dia da Conferência da Glocal Experience, na Marina da Glória.

A Glocal Experience é uma iniciativa da Dream Factory, com a co-realização da Editora Globo e os parceiros oficiais de mídia O GLOBO, Extra, Valor e CBN. O acesso é gratuito. Basta fazer um cadastro no site glocalexperience.com.br ou na entrada da Glocal Experience, na Marina da Glória.

Sobre o lixo, Tião Santos, presidente da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, chamou atenção para a pouca mudança de perspectivas desde 2010, quando a política nacional foi aprovada.

— É preciso romper o preconceito de que reciclagem é coisa de gente pobre. Hoje, só 4% dos resíduos sólidos no Brasil são reciclados. Se tivéssemos posto como meta o crescimento da reciclagem em 1% ao ano, o que é muito pouco, já teríamos chegado perto de 16% dos resíduos reaproveitados — disse Santos.

O secretário executivo para a América Latina da organização ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, Rodrigo Perpétuo, por sua vez, fez um chamamento por um grande pacto:

— O setor privado precisa assumir a responsabilidade enquanto gerador (de resíduos), e tratar os resíduos como um valor e não como algo que se pode jogar fora.

Outra saída proposta ontem foi a ampliação da simbiose industrial: parceria sustentáveis entre empresas, com intercâmbio, por exemplo, de resíduos, água e energia para reduzir os impactos da atividade. Um exemplo de que é possível transformar realidades veio da Europa. Jacob Paulsen, diretor da Seção de Ciência e Inovação da Embaixada da Suécia, mostrou como o país saiu, nos anos 1980, de 100% dos resíduos urbanos destinados para lixões para 1%, atualmente. Segundo ele, a metade dos gases gerados no tratamento dos resíduos é usada no aquecimento das casas.

O debate sobre fontes de energia com menor impacto ambiental ocorreu na parte da tarde. Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara, alertou para a mudança em curso na matriz energética brasileira. Ela destacou que, saindo de um cenário de grande parte da energia vinda das hidroelétricas, estão nos planos governo brasileiro hoje a construção de mais de 70 termoelétricas, que produzem energia a um custo mais alto e com mais impacto ambiental. Só em Macaé, no Norte Fluminense, ressaltou, são 12 unidades. O gás que vai alimentá-las, lembrou, virá dos Estados Unidos:

— Com isso, estão sendo construídos 9,5 mil quilômetros de novos gasodutos, o equivalente à distância entre Rio e Paris. A escolha é equivocada, com certeza.

Para Asgar Pinkoeski, gerente de Inovação e Sustentabilidade na AHK Rio, construir um plano abrangente de utilização de energia pode levar o Brasil a um lugar de destaque.

O acesso à energia limpa também foi tema da conversa da atriz Leandra Leal com representantes da Revolusolar, responsável pelo projeto que leva energia solar aos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira, no Leme. Antes, ela mediou um debate sobre a participação da juventude nos processos de busca por sustentabilidade, clima e sociedade.

Conferência

9h50: Onde nós estamos e para onde vamos, com Rosana Jatobá.

10h10: A agenda climática na prática, o que significa viver em um mundo descarbonizado?, com Jean Lemire, emissário oficial da Província do Québec para Mudanças Climáticas, e mediação de Daniela Chiaretti, do Valor Econômico.

11h45: O futuro da Amazônia é hoje: manter a floresta em pé é combater a desigualdade, com Samela Sateré Mawé, comunicadora da articulação dos Povos Indígenas do Brasil, consultora da Fundação Amazônia Sustentável e voz ativa na Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé.

15h: Créditos de carbono: que papo é esse, eu quero saber?, com Bruno Aranha, do BNDES, e Fabio Galindo, do Future Carbon Group.

16h15: Protagonismo das cidades é fundamental, com Washington Fajardo, secretário de Planejamento Urbano do Rio, e Sérgio Besserman, com mediação de Melina Risso, do Instituto Igarapé.

17h15: O boom do capitalismo regenerativo, com John Elkington, referência no segmento de sustentabilidade empresarial e pioneiro em orientar escolha de produtos de empresas ecologicamente conscientes.

Arena de diálogos

15h: A importância das mulheres no avanço das ODS, com Djamila Ribeiro e Carla Akotirene.

16h15: O que é a Agenda 2030? Como funciona? Qualquer um pode colaborar?

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