Conferência da ONU busca soluções para degradação dos solos, que já atinge 40% do planeta

No continente mais afetado do mundo pela desertificação dos solos, uma cúpula internacional tenta encontrar alternativas para evitar que o fenômeno não se espalhe ainda mais – não só na África, como em todo o planeta. A conferência da ONU sobre o tema acontece na Costa do Marfim durante duas semanas. Participantes de 197 países se reúnem para discutir soluções para o problema, que já atinge mais de 40% das superfícies do globo.

Se nada for feito, o que já é ruim vai ficar pior: com menos terras produtivas disponíveis, cresce a tensão para o aumento da produção alimentar nas áreas cultiváveis, levando a uma degradação de novas regiões. Em 2050, ela poderia atingir uma área equivalente a toda a América do Sul, com impacto não só na segurança alimentar e hídrica, mas também nas mudanças do clima e na biodiversidade.

"Sessenta e cinco por centro das terras cultiváveis na África foram perdidas nos últimos 70 anos. Neste período, a população africana cresceu pelo menos 600%”, disse o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas pela Luta contra a Desertificação, Ibrahim Thiaw, em entrevista à RFI. "Ou seja, enfrentamos uma situação em que, embora o continente não seja superpopuloso, a exploração dos recursos naturais se tornou insustentável.”

Causas naturais e humanas

As soluções existem, mas demandam mudanças profundas de práticas e investimentos. Ibrahim Thiaw destaca o exemplo da Grande Muralha Verde do Sahel, projeto faraônico iniciado em 2007 em onze países africanos, para tentar restaurar 100 milhões de hectares de terras.


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