Conferência mundial debate nos EUA ataques à comunidade LGBTQIA+

Representantes da comunidade LGBTQIA+ de 160 países se reúnem nesta semana na conferência internacional da ILGA World em Long Beach, Califórnia (AFP/Robyn Beck) (Robyn Beck)

A comunidade LGBTQIA+ enfrenta globalmente uma nova onda de ataques, de acordo com os líderes e ativistas de mais de cem países que se reuniram nesta semana na Califórnia, em uma conferência internacional.

Além dos "enormes níveis de violência e discriminação" que a comunidade enfrenta historicamente, Julia Ehrt, diretora da associação internacional de Lésbicas, Gays, Trans e Interssexuais (ILGA mundo), observa o surgimento de narrativas antigênero que "tentam privá-los dos direitos humanos que merecem".

Com a presença de mais de 600 representantes, a conferência mundial da Ilga World aconteceu na segunda-feira em Long Beach, Califórnia, com os direitos da juventude LGBTQIA+ nas discussões centrais.

"Lutamos por direitos da comunidade queer em todo o mundo, mas os direitos da juventude queer foram deixados de lado ou invisibilizados", afirma Martin Karadzhov, presidente do comitê da juventude da Ilga World.

"Esta conferência nos oferece o primeiro espaço no qual podemos realmente colocar os temas da juventude queer no centro das conversas e de nosso movimento", explicou.

"Os jovens enfrentam muitas práticas perigosas, como as terapias de conversão, que são pouco éticas, não científicas e tortuosas, mas legais em quase 180 países", afirma Karadzhov.

Jessica Stern, enviada especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos para os direitos humanos da comunidade LGBTQIA+, sustenta que para que a juventude se sinta "segura" é necessário que os países acabem com estas "e outras práticas que atentem e desumanizem", além da discriminação da homossexualidade e o reconhecimento legal das pessoas não binárias, interssexuais e trans.

- "Adultos plenamente conscientes" -

Os participantes da conferência trocaram experiências sobre as diferentes realidades em seus países. Para muitos, a oportunidade é um bálsamo depois de dois anos de pandemia.

"Estou sobrecarregada", disse Joana Palomar, ativista de Manila. "Nas Filipinas, por dois anos, ficamos presos, com muitas leis e políticas que são desumanas", acrescentou.

"Muitos ativistas trabalham em condições de extrema opressão, isolamento e violência e isto tem um peso emocional", afirma Stern, que destacou a conferência como um espaço de apoio com "o potencial de acelerar o progresso para esta comunidade".

"Quero ter a oportunidade de absorver e levar esta mensagem global à nossa audiência que precisa dela", disse Brian Wenke, do projeto educativo "It gets better", sediado em Los Angeles.

"Apenas neste ano foram apresentados mais de 300 projetos de lei em 36 estados (dos Estados Unidos), que vão desde a restrição em atividades desportivas até o apelo 'não diga gay' que estão sagazmente disfarçados como direitos dos pais na educação", enfatizou Wenke.

Esses esforços legislativos são uma tentativa de roubar dos jovens queer "a experiência de que eles precisam para crescer e prosperar e serem adultos competentes e conscientes", afirmou.

A conferência, que reconhece mais de 40 opções de gênero -muitas delas respondendo a perspectivas culturais e linguísticas indígenas-, é para Martin Karadzhov também uma oportunidade de "desfazer os mitos de que antes não existiam diversas identidades de gênero (...) ou de que há um choque de gerações".

Para o ativista de 28 anos, "os jovens encontraram novas palavras para identificar o que já existia" e as gerações anteriores enfrentaram crises e ataques similares. "O que precisamos é olhar o que há em comum em experiências e histórias e tentar conectar".

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