Conferência sobre o impacto humanitário das armas nucleares

Sobreviventes dos ataques atómicos nas cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki marcaram presença, na sessão inaugural da Conferência sobre o Impacto Humanitário das Armas Nucleares, em Viena.

Em plena ameaça, com a guerra na Europa, o objetivo de estados e organizações, que assinam o Tratado de Proibição de Armas Nucleares não é parar a proliferação destas armas, mas bani-las por completo.

O ministro austríaco dos Negócios Estrangeiros, Alexander Schallenberg, disse na conferência: "Se olharmos para o passado, se olharmos para as munições de fragmentação, se olharmos para as minas antipessoais... No início, a reação foi sempre a mesma: nunca se chegará lá, esqueçam. Os estados estavam a produzi-las, os estados têm arsenais destas armas e estão a ser utilizadas. Que ingénuo pensarmos que pode ser, ou é mesmo perigoso aboli-las, porque se está a enfraquecer todo o sistema internacional".

Os presentes na conferência ouviram relatos na primeira pessoa de sobreviventes que passaram pelos horrores dos ataques nucleares dos EUA no Japão.

Kido Sueichi tinha cinco anos quando o avião dos EUA largou a bomba em Nagasaki, a cidade onde vivia e conta o que viveu e testemunhou, concluindo: "A conclusão tornou-se muito clara de que a bomba atómica é uma arma de desumanidade e de mal absoluto, com a qual os seres humanos não podem existir e que não nos permite morrer nem viver como seres humanos".

A bomba atómica é uma arma de desumanidade e de mal absoluto, com a qual os seres humanos não podem existir e que não nos permite morrer nem viver como seres humanos

O novo tratado, ratificado por mais de 60 estados, pretende garantir que não haverá mais Hiroximas. A guerra na Ucrânia deu novo impulso à iniciativa, que parece não comover os estados detentores de armas nucleares, ausentes deste encontro e não signatários do tratado, que entrou em vigor em janeiro de 2021.

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