Confiantes, ucranianos comemoram o Ano Novo enquanto drones explodem nos céus

Por Gleb Garanich e Herbert Villarraga

LINHA DE FRENTE EM KIEV E NA PROVÍNCIA DE DONETSK, Ucrânia (Reuters) - Os ucranianos comemoraram o Ano Novo de suas varandas enquanto as defesas aéreas do país repeliam mísseis e drones russos desde as primeiras horas de 2023, com Moscou entrando o ano novo atacando alvos civis em toda a Ucrânia.

O comando da Força Aérea da Ucrânia disse que destruiu 45 drones Shahed, fabricados no Irã, durante a noite --32 deles no domingo após a meia-noite e 13 na noite de sábado. Isso se soma a 31 ataques com mísseis e 12 ataques aéreos em todo o país nas últimas 24 horas.

O presidente russo, Vladimir Putin, sinalizou que não haverá trégua em seu ataque à Ucrânia, em um discurso sombrio e confiante de Ano Novo que contrastou com uma mensagem de esperança, gratidão e unidade do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy.

Enquanto soavam as sirenes em Kiev, algumas pessoas gritavam de suas varandas: "Glória à Ucrânia! Glória aos heróis!"

O ataque noturno causou danos mínimos no centro da capital, e relatórios preliminares indicam que não houve feridos ou baixas, disse o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, nas redes sociais. Ataques no início do sábado atingiram prédios residenciais e um hotel na capital, matando pelo menos uma pessoa e ferindo mais de 20.

A embaixadora dos EUA na Ucrânia, Bridget Brink, disse no Twitter: "A Rússia atacou a Ucrânia de maneira fria e covarde nas primeiras horas do ano novo. Mas Putin ainda parece não entender que os ucranianos são feitos de ferro."

Na linha de frente na província de Donetsk, no leste da Ucrânia, as tropas brindaram o ano novo. O soldado Pavlo Pryzhehodskiy, de 27 anos, tocou uma música no violão que ele compôs no front depois que 12 de seus camaradas foram mortos em uma única noite.

"É triste que, em vez de encontrar os amigos, comemorar e dar presentes uns aos outros, as pessoas foram forçadas a procurar abrigo, algumas foram mortas", disse ele à Reuters. "É uma grande tragédia. É uma grande tragédia que nunca pode ser perdoada. É por isso que o Ano Novo é triste."

Em uma trincheira próxima da linha de frente, o soldado Oleh Zahrodskiy, de 49 anos, disse que se alistou como voluntário depois que seu filho foi convocado para lutar como reservista. Seu filho estava agora em um hospital na cidade de Dnipro, no sul, lutando pela vida com uma lesão cerebral, enquanto seu pai comandava o front.

"É muito difícil", disse ele, segurando as lágrimas.