Após confinamento, israelenses voltam a aproveitar as praias

1 / 2
Três jovens aproveitam reabertura das praias de Tel Aviv, em 20 de maio de 2020

"É a primeira vez que eu mergulho na água em meses. É a melhor sensação do mundo!", disse Daria, que logo pela manhã decidiu aproveitar a reabertura das praias em Israel após dois meses de confinamento.

No início de abril, quando as primeiras medidas de confinamento foram impostas para limitar a propagação do coronavírus, o fechamento das praias não chocou ou decepcionou ninguém, enquanto as temperaturas ambiente e da água ainda estavam frias.

Mas, com o início do desconfinamento nas últimas semanas e uma onda de calor escaldante, alguns israelenses não esperaram a autorização oficial para dar um mergulho.

No sábado, durante o sabbat, milhares de pessoas desafiaram as medidas em vigor nas praias de Tel Aviv para pegar sol e se refrescar nas águas do Mediterrâneo, ainda na ausência de salva-vidas.

A abertura de 124 praias vigiadas em todo o país ao público nesta quarta-feira marcou o início oficial da temporada de verão.

Inicialmente, estava programada para 1º de abril, mas depois foi adiada para 1º de junho, devido à pandemia da COVID-19, e postergada por mais 10 dias.

Usando camisetas laranja fosforescentes, os barraqueiros da praia de Tel Aviv instalaram espreguiçadeiras e guarda-sóis na areia, tomando o cuidado de respeitar as diretrizes da distância, sob o olhar julgador de muitos pedestres, que caminham apenas para respirar ar fresco ao sol.

Daria, de 30 anos, de biquíni e com as costas decoradas com tatuagens coloridas, chegou à praia ao nascer do sol. "Por causa do calor, cheguei às 5H45, ansiava por esse momento", confidencia à AFP.

"Dois meses sem nadar por causa do coronavírus, tive a impressão de ficar deprimida", desabafa Dalia Cohen, 72 anos, com um sorriso largo.

- Dois metros de distância -

As autoridades têm dificuldades em aplicar medidas de distanciamento social.

Em teoria, ainda se exige uma distância de dois metros entre as pessoas nas praias, desde que os grupos não possam exceder seis indivíduos, decidiu o governo, que procura concretizar o desconfinamento enquanto teme uma eventual segunda onda de contágio.

Israel, com cerca de nove milhões de habitantes, registrou 16.600 casos de mortes por COVID-19 e 278 mortes. A epidemia teve uma incidência mais alta entre os judeus ortodoxos, chamados "haredies" ("tementes a Deus" em hebraico).

"Tel Aviv é diferente porque não há haredies, mas muitos turistas trouxeram o vírus", disse Teah Harel, 29, à AFP.

Com o sol e agora o mar, muitos agora esperam apenas uma coisa: a reabertura dos bares. A menos que haja uma segunda e rápida onda de infecções, seu desejo será realizado em uma semana, em 27 de maio, o que traria de volta à liberal Tel Aviv seu verdadeiro clima de verão.