Confira 14 perguntas e respostas sobre a vacinação contra a Covid-19

Ana Lúcia Azevedo e Constança Tatsch
·6 minuto de leitura

Com o avanço da vacinação Brasil afora, crescem os relatos nas redes sociais de pessoas felizes por, enfim, receber a sua “dose de esperança” ou por ver um parente ser imunizado. Mas ainda há algumas dúvidas sobre o processo de imunização, sua segurança e sua eficácia. Para esclarecer as principais questões, o EXTRA traz respostas de especialistas para 14 perguntas sobre o tema. Confira!

1 - É possível contrair a Covid-19 por conta da vacinação?

Não. Nenhuma das vacinas em fase mais avançada de desenvolvimento emprega o vírus Sars-CoV-2 enfraquecido (atenuado), que seria a única possibilidade, ainda que remota, de haver reversão da forma atenuada para a ativa. Desta forma, nenhuma vacina poderá causar a doença, esclarece Herbert Guedes, professor do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Ri ode Janeiro (UFRJ) e especialista em vacinas. Que fique claro: ninguém pegará Covid-19 de uma vacina.

2 - Quando a vacina começa a fazer efeito?

Os resultados dos estudos levam em conta dados do 15º dia após a segunda dose das vacinas. Um estudo preliminar da Universidade de Oxford, apresentado na última terça-feira (2), indica que a vacina desenvolvida com a AstraZeneca tem 76% de eficácia contra casos sintomáticos da Covid-19 já após a primeira inoculação. Ainda assim, é preciso esperar 15 dias para que cada dose faça efeito, de acordo com a microbiologista Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC) e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

3 - Terei que tomar quantas doses para ser imunizado?

Para a maioria das vacinas apresentadas até agora, são necessárias duas doses, com intervalos variáveis entre a primeira e a segunda.

4 - Em quanto tempo receberei a 2ª dose?

Depende da vacina e da estratégia adotada por cada governo. Por isso, é fundamental seguir a orientação dada pelo agente de saúde no momento da primeira dose. De acordo com a bula da CoronaVac, é necessário um intervalo de duas a quatro semanas, com média de 21 dias, para garantir a eficácia. No caso da vacina de Oxford, o intervalo previsto é de quatro a 12 semanas, e estudos indicam que o intervalo maior é mais eficaz. Governos têm optado por intervalos maiores para imunizar mais gente.

5 - Já tive Covid-19 e tenho anticorpos, ainda assim preciso me vacinar?

Sim. Primeiro porque seria necessário avaliar o número de anticorpos desenvolvido por cada pessoa para ver se eles são capazes de protegê-la. Além disso, não se sabe quanto tempo dura essa proteção natural; os estudos falam em cinco ou sete meses. Outra preocupação é com as novas variantes do Sars-CoV-2. Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas (SP), o Ministério da Saúde divulgou um estudo feito no Amazonas que analisou o soro de convalescentes da Covid-19 e constatou que os anticorpos naturais protegiam apenas 50% das pessoas contra a nova variante local. Ou seja, apenas 50% das pessoas que já tiveram Covid-19 estariam imunes à nova variante.

6 - Se já tomei a primeira dose de um fabricante, posso tomar a segunda dose de outro?

Por enquanto, não. Natalia Pasternak afirma que ainda não há estudos sobre combinação de vacinas — o primeiro está começando a ser feito no Reino Unido. Especialistas consideram que, na falta da segunda dose de um fabricante, seria melhor tomar a segunda de outro do que não tomar nada, mas isso só vale caso realmente haja escassez. Por isso, é importante seguir a recomendação das autoridades de saúde locais.

7 - O que fazer se eu esquecer a data da segunda dose?

Segundo Natalia Pasternak, atrasar um dia ou até uma semana não é grave. Mas, se o tempo de atraso for longo demais, todo o protocolo de vacinação será reiniciado.

8 - Quais efeitos colaterais são esperados?

A vacinação é segura, e os efeitos colaterais, em geral, são leves e temporários, como dor no local da injeção e febre baixa. Efeitos colaterais mais graves são extremamente raros em vacinas de forma geral, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

9 - Quais efeitos adversos graves podem ocorrer?

Não existe uma definição de quais efeitos graves podem ocorrer, diz Herbert Guedes. Até o momento, eles são raros, e os pesquisadores ainda avaliam se podem ter relação com a imunização. Será necessário mais tempo para identificar o risco.

10 - Já estando vacinado, posso parar de usar máscara?

Não. Teremos que continuar a usar máscara e a fazer distanciamento social por um bom tempo. Primeiro, porque apenas parte da população será vacinada. Além disso, porque não se sabe se as vacinas vão conseguir impedir a transmissão e tirar o novo coronavírus de circulação ou apenas se vão impedir que as pessoas adoeçam com Covid-19, diz a epidemiologista Carla Domingues, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Herbert Guedes acrescenta que somente depois que a vacinação em massa ocorrer, com uma redução drástica dos casos, medidas de segurança poderão ser revistas.

11 - Depois de vacinado, vou poder sair do confinamento? Ver meus parentes? Viajar?

De forma geral, não. É possível abrir pequenas exceções, como ver um parente, mas desde que sejam mantidas as regras não farmacológicas, como uso de máscara, distanciamento, preferência por ambientes arejados e higienização das mãos. Segundo Rosana Richtmann, não há informações sobre a proteção oferecida pela CoronaVac entre a primeira e a segunda doses. Na vacina de Oxford, novos estudos indicam eficácia de 76%. Ou seja, ainda é possível pegar a doença e disseminar o vírus.

12 - Ainda posso transmitir o vírus após receber as duas doses da vacina?

Pode. Natalia Pasternak explica que as vacinas não foram testadas para evitar transmissão e, sim, evitar a doença. A Universidade de Oxford mediu quantos casos de RT-PCR deram positivo após a imunização e viram diminuição de 67% após a primeira dose, mas foi o primeiro estudo sobre isso, ainda preliminar.

13 - Por quanto tempo estarei protegido?

Não se sabe essa resposta. Esses dados ainda estão em estudo, diz Herbert Guedes. Os imunizados nos testes clínicos continuarão sendo acompanhados, e assim será possível determinar o tempo de proteção. A OMS considera aceitável o prazo mínimo de seis meses.

14 - Teremos que tomar a vacina todos os anos, como a da gripe?

Existe essa possibilidade. Tudo depende do tempo de proteção oferecido pelas vacinas e se o coronavírus sofrerá mutações significativas, diz Herbert Guedes. O imunologista explica que, se o tempo de proteção oferecido for pequeno, será necessário tomar a vacina com frequência. Se, por exemplo, a proteção durar um ano, a vacina será anual. Até o momento, o Sars-CoV-2 parece mais estável que os vírus da gripe. Mas, se ele mudar significativamente, as vacinas perderão a eficácia, terão que ser atualizadas, e todos deverão se vacinar de novo.