Confira os candidatos às cruciais eleições para o Senado na Geórgia

Elodie CUZIN
·4 minuto de leitura
(E-D:) Jon Ossoff, David Perdue, Kelly Loeffler e Raphael Warnock

"O jovem filho judeu de um imigrante e um pastor negro" contra dois empresários ricos que não devem "nada a ninguém": estes são os candidatos às cruciais eleições de dois assentos para o Senado nesta terça-feira na Geórgia, que determinarão o controle da Câmara Alta dos Estados Unidos.

Kelly Loeffler contra Raphael Warnock e Jon Ossoff versus David Perdue: candidatos praticamente desconhecidos há alguns meses fora deste estado sulista, seus nomes agora ressoam na imprensa nacional.

É assim porque nesta eleição de segundo turno será decidido não só o controle do Senado, até agora nas mãos dos republicanos, mas também o poder em Washington durante a futura Presidência do democrata Joe Biden.

- Jon Ossoff contra David Perdue -

Com 33 anos, o democrata Jon Ossoff ainda tem um currículo modesto, mas nenhuma dúvida sobre tudo o que está em jogo após sua candidatura. "Vamos marcar a história nesta terça", disse no fim de semana a um grupo pequeno de eleitores reunidos em Eatonton, município rural de casas simples.

Seu tom tranquilo se anima quando este produtor de documentários investigativos e ex-colaborador parlamentar destaca o simbolismo de sua candidatura paralela à de Raphael Warnock, um pastor afro-americano, em um estado ainda marcado pelas feridas da escravidão e da segregação.

"Pensem que viemos de longe. Em que os seus candidatos neste momento histórico são o jovem filho judeu de um imigrante e o pastor negro que ocupa o púlpito" de Martin Luther King em Atlanta.

Ossoff acusa o adversário de ter usado informações confidenciais sobre a pandemia, recebidas no Senado, para enriquecer.

David Perdue, de 71 anos, rejeita as denúncias, enquanto sua equipe acusa Ossoff de "nunca ter tido um trabalho de verdade na vida", em alusão ao dinheiro herdado da sua família, que reinvestiu parcialmente em uma empresa britânica de documentários, a Insight TWI.

O empresário republicano, por sua vez, "cria empregos nos Estados Unidos há 40 anos", diz sua equipe.

Um dos membros mais ricos do Congresso, o senador conservador pertence à família Perdue, famosa por seu império na indústria aviária.

Nas últimas e frenéticas horas da campanha, este 'trumpista' fiel teve que deixar as ruas após ter sido detectado um caso de covid-19 em seu entorno mais próximo e por este motivo está fazendo quarentena. Mas Perdue permanece presente nas telas.

Na terça-feira, os eleitores da Geórgia decidirão se os americanos vão se inclinar por "viver sob um governo opressor socialista" ou se continuam desfrutando de liberdade, proclamou neste domingo à Fox News.

David Perdue ficou a um passo de alcançar os 50% necessários no primeiro turno das eleições (49,7%) contra 47,9% para Jon Ossoff.

- Raphael Warnock contra Kelly Loeffler -

"Juntos vamos deter o socialismo. Juntos vamos mostrar a todo mundo que a Geórgia é um estado republicano e juntos vamos salvar os Estados Unidos": com um boné enfeitado com uma discreta bandeira americana, Kelly Loeffler, de 50 anos, dirigia-se a um pequeno grupo de seguidores no domingo em uma charmosa cidade do noroeste conservador deste estado.

Também incluída entre os integrantes mais ricos do Congresso, a empresária percorre a Geórgia em seu jato privado para fazer campanha.

Kelly Loeffler gosta de lembrar da infância humilde em uma fazenda, antes de fazer carreira nos serviços financeiros. E se apresenta seguindo a linha de Donald Trump.

"David Perdue e eu somos pessoas de negócios, somos 'outsiders', não devemos nada a ninguém", disse em Cartersville. "E juntos vamos salvar os Estados Unidos".

De qual perigo? Do seu adversário, Raphael Warnock, "um liberal radical" que ameaça, segundo ela, os valores americanos.

Nascido em um bairro pobre de Savannah, uma sofisticada cidade colonial, ele acusa Loeffler de ter "tirado proveito da pandemia", como David Perdue, vendendo ações com base em informações privilegiadas, o que ela nega.

Décimo primeiro de uma família de 12 filhos, o pastor diz ter nascido na "pobreza", filho de uma mãe que trabalhava nos campos de algodão. Sua trajetória até a igreja de Martin Luther King e depois como candidato ao Senado, só é possível nos "Estados Unidos".

"Me apresento ao Senado americano porque acredito na promessa americana, sei que está viva. Mas está escapando a muitos dos nossos filhos", afirmou aos eleitores.

Raphael Warnock acabou na liderança no primeiro turno, à frente de Kelly Loeffler por mais de 300.000 votos. Mas esta última poderia se beneficiar do transferência de apoio de um rival republicano no primeiro turno, que recebeu mais de um milhão de votos.

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