Confira os próximos passos do inquérito do STF para apurar acusações do ex-ministro Sergio Moro

Foto: AP Photo/Eraldo Peres

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, e o ex-superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro Ricardo Saadi depõem à Polícia Federal em Brasília, na manhã desta segunda-feira, às 10h. Eles serão ouvidos no inquérito que apura a suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF. Além do depoimento de Ramagem e Saadi, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello determinou que outras oito pessoas, incluindo três ministros do governo Bolsonaro.

Confira os próximos passos do inquérito:

Depoimentos de Ramagem, Saadi e Valeixo

Os três delegados da Polícia Federal prestam depoimentos nesta segunda-feira. Ramagem e Saadi devem ser ouvidos às 10h, em Brasília. O ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo também vaui prestar depoimento nesta segundaod, mas na Superintendência da PF em Curitiba, às 10h.

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Reunião entre Moro, PGR e AGU

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que apontou a suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na PF como um dos motivos para o pedido de demissão do governo, vai se reunir em Brasília com o procurador-geral da Repúblico, Augusto Aras, e como advogado-geral da União, José Levi, para assistirem juntos o vídeo da reunião ministerial citada por Moro, em que Bolsonaro teria ameaçado demitir o ex-juiz federal.

A exibição do vídeo deve ocorrer nesta terça-feria e todos irão assitir simultaneamente na Polícia Federal em Brasília.

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Depoimentos de ministros

Os depoimentos dos três ministros do núcleo militar do governo estão previstos para ocorrer na tarde de terça-feira, às 15h. Os três depoimentos ocorrerão no Palácio do Planalto no mesmo horário, de forma simultânea, como uma estratégia investigativa para impedir a combinação de versões entre eles.

Serão ouvidos Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Participarão dos depoimentos investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Apesar de os três ministros não serem investigados no caso, seus depoimentos podem ter diversas implicações jurídicas.

Depoimentos de delegados da PF

O ministro Celso de Mello determinou a oitiva de outros três delegados da PF: Carlos Henrique de Oliveira Souza (ex-superintendente no Rio de Janeiro), Alexandre da Silva Saraiva (ex-superintendente no Amazonas) e Rodrigo de Melo Teixeira (ex-superintendente em Minas Gerais). Souza e Saraiva devem ser ouvidos também a partir das 15h, nesta terça, na sede da PF em Brasília. O depoimento de Teixeira está previsto para 15h desta terça, mas o local ainda não foi definido.

Depoimento da deputada Carla Zambelli (PSL-SP)

O depoimento da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que trocou mensagens com Sergio Moro sobre a demissão de Valeixo e uma possível indicação dele ao STF em troca disso, está marcado para quarta-feira.

A deputada foi citada por Moro em entrevista ao Fantástico, em que ele apresentou uma troca de mensagens com Zambelli (PSL-SP), em que ela supostamente tenta convencê-lo a aceitar o nome do atual diretor da Abin, Alexandre Ramagem, no comando da PF, em substituição a Maurício Valeixo. Em contrapartida ao aval do ministro, a parlamentar diz que ajudaria a convencer Bolsonaro a indicá-lo ao STF na vaga que será aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.

“ Por favor ministro, aceite o Ramagen, e vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar a fazer JB (Jair Bolsonaro) prometer”, diz Carla.

Em resposta, Moro afirma: “Prezada, não estou à venda”.

A deputada diz que sabe que ele não está à venda, e Moro diz: “Vamos aguardar, já há pessoas conversando lá”, em relação à possível troca na PF.

Andamento do inquérito

Após a fase de depoimentos, produção de provas, quebra de sigilos e perícias pela Polícia Federa, sob supervisão da PGR, o procurador-geral da República, Augusto Aras, vai decidir se apresenta ou não denúncia contra o presidente pelos supostos crimes praticados.

Se Aras denunciar o presidente, a Câmara dos Deputados precisa autorizar o avanço da denúncia e se, caso for aprovado o prosseguimento, o STF decide se recebe as acusações.

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