Confira a reação de estados, capitais e do Conass após a coletiva de Queiroga

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - AUGUST 3: Brazil's Health Minister Marcelo Queiroga participates in mass vaccination against Covid-19 for residents of the Mare favela Complex, in Rio de Janeiro, Brazil on August 03, 2021. Health Minister Marcelo Queiroga said at a press conference that the portfolio under his command has no
Foto: Fabio Teixeira/Anadolu Agency via Getty Images.

Após a decisão do Ministério da Saúde recomendar a suspensão da vacinação contra a covid-19 de adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades, estados se pronunciaram sobre as medidas que serão tomadas. O anúncio foi feito pelo Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Confira o que cada estado vai fazer diante do anúncio de suspensão: 

5 capitais vão suspender a vacinação dos adolescentes

  • Salvador (BA);

  • Natal (RN);

  • Belém (PA);

  • Campo Grande (MS); e 

  • Maceió (AL);

10 capitais vão manter a vacinação e ignorar a recomendação

  • São Paulo (SP);

  • Rio de Janeiro (RJ);

  • Aracaju (SE);

  • Goiânia (GO);

  • Manaus (AM);

  • Rio Branco (AC);

  • Vitória (ES);

  • Porto Alegre (RS);

  • Recife (PE); e 

  • Brasília (DF);

4 aguardam mais informações para decidir

  • Palmas (TO);

  • Fortaleza (CE);

  • Florianópolis (SC); 

  • Boa Vista (RR);

5 não começaram a vacinar adolescentes

  • Teresina (PI);

  • Belo Horizonte (MG);

  • Cuiabá (MT);

  • Curitiba (PR); e 

  • João Pessoa (PB);

2 já completaram a vacinação de adolescentes

  • Macapa (AP); e

  • São Luís (MA);

O governo de São Paulo divulgou uma nota oficial afirmando que manterá a vacinação de adolescentes e criticou o posicionamento da pasta. No ofício, o estado afirma que a decisão vai na contramão das práticas de outros países.

"Coibir a vacinação integral dos jovens de 12 a 17 anos é menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público. Três a cada dez adolescentes que morreram com covid-19 não tinham comorbidades em São Paulo. Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais", diz a nota.

O governo de SP também informou que já foram vacinados com pelo menos uma dose cerca de 2,4 milhões de adolescentes, cerca de 72% do público-alvo. No momento, São Paulo vacina maiores de 12 anos. A capital paulista também irá manter a campanha de imunização do grupo.

O estado de Alagoas está entre os que optaram por seguir a nova orientação do Ministério da Saúde e suspender a aplicação de doses, conforme divulgado pelo governador, Renan Filho (MDB) em suas redes sociais para fazer o anúncio da suspensão. 

"Anuncio a suspensão imediata da vacinação a adolescentes de 12 a 17 anos em Alagoas, seguindo a orientação do Ministério da Saúde. A imunização continuará para aqueles que apresentem deficiência permanente ou comorbidades. Reafirmo o nosso compromisso com a vida dos alagoanos", postou.

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Já Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Norte orientaram que os municípios mantenham a vacinação de adolescentes sem comorbidades até o posicionamento da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A mesma decisão foi tomada pelo Distrito Federal.

Capitais alteraram plano de imunização

Enquanto isso, a cidade do Rio de Janeiro optou por manter a vacinação de jovens de 14 anos, que deve terminar nesta sexta-feira (17), mas suspender por hora a vacinação de adolescentes mais jovens. A Secretaria de Saúde do estado ainda está preparando um posicionamento.

Natal foi na contramão da decisão estadual do governo do Rio Grande do Norte e optou por suspender a vacinação do grupo. Na cidade, alguns jovens foram informados na fila que não receberiam a dose de imunizante.

Students wait to receive a dose of the Pfizer-BioNTech vaccine against the coronavirus disease (COVID-19) during a vaccination event for teenagers at Barao do Rio Branco public school in Betim, Minas Gerais state, Brazil, June 16, 2021. REUTERS/Washington Alves
Alunos aguardam dose da vacina Pfizer-BioNTech contra a Covid-19 durante evento de vacinação de adolescentes na escola pública Barão do Rio Branco, em Betim, Minas Gerais, Brasil, dia 16 de junho de 2021. (Foto: REUTERS / Washington Alves)

O mesmo aconteceu com a capital catarinense, Florianópolis, que decidiu seguir a nova diretriz federal e interromper a vacinação.

Salvador também suspendeu a vacinação de adolescentes sem comorbidade nesta quinta-feira (16) após a nota do Ministério da Saúde.

Posição do Conass e do Conasems

Com a divulgação do ofício do pelo Ministério da Saúde, o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) encaminharam um ofício ao diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, na manhã desta quinta-feira (16).

"Diante da nota [do Ministério da Saúde], que sugere postergar o início da vacinação de adolescentes sem comorbidades", diz o ofício, o Conass e o Conasems "solicitam o imediato posicionamento da Anvisa sobre a autorização para uso de vacina em adolescentes de 12 a 17 anos".

Segundo as instituições, "a vacinação dos adolescentes cumpre importante papel na estratégia de controle da pandemia no Brasil".

A carta foi assinada pelo presidente das entidades, Carlos Lula (Conass) e Wilames Freire Bezerra (Conasems). Eles pontuam que a vacinação de adolescentes considerou "cenário anunciado pelo Ministério da Saúde de ampla disponibilidade de doses".

“O Brasil deve, conforme autorização da Anvisa, avançar na antecipação da D2 [dose dois] para 8 semanas, concluir a vacinação da população adulta e avançar na vacinação de adolescentes com e sem comorbidades”, declara o ofício.

Em entrevista à emissora CNN, Carlos Lula, que também é Secretário de Saúde do Estado do Maranhão, afirmou que o conselho “lamenta a postura do ministro”.

“A gente lamenta a postura do ministro. Essa atitude que vai na contramão de tudo que é o SUS. O SUS sempre se pautou pela ciência e nunca teve uma conduta de tentar culpar terceiros por suas próprias decisões, muito menos de abrir divergência dessa forma e nesse tom”, declarou.

Segundo ele, os estados e municípios seguiram as orientações da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Os estados e municípios tomaram decisões com base em protocolos da Anvisa. Lamento a coletiva e, mais do que a coletiva, lamento o fato de o ministro ter tergiversado. As argumentações de Queiroga estão longe de serem consistentes”, afirmou.

Entenda a nova diretriz do Ministério da Saúde

Na noite da última quarta-feira (15), o Ministério de Saúde divulgou uma nota recomendado a suspensão da vacinação de jovens entre 12 e 17 anos sem comorbidades contra a covid-19. Segundo a pasta, houve uma “recomendação para a imunização” deste grupo, feita pela Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 – mesmo com a aprovação pela Anvisa do uso da Pfizer para esta faixa etária.

Segundo a pasta, devem continuar a ser imunizados jovens entre 12 e 17 anos com comorbidades, com deficiência permanente ou jovens provados de liberdade.

“A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na Nota Técnica nº 40/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, revisou a recomendação para imunização contra COVID-19 em adolescentes de 12 a 17 anos, restringindo o seu emprego somente aos adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech)”, diz o Ministério da Saúde.

O documento foi assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid.

A nota lista seis motivos para a revisão dessa vacinação. Veja abaixo os motivos litados pelo Ministério da Saúde:

  • A Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades;

  • A maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela COVID-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos;

  • Somente um imunizante foi avaliado em ECR;

  • Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos;

  • Apesar dos eventos adversos graves decorrentes da vacinação serem raros, sobretudo a ocorrência de miocardite (16 casos a cada 1.000.000 de pessoas que recebem duas doses da vacina);

  • Redução na média móvel de casos e óbitos (queda de 60% no número de casos e queda de mais de 58% no número de óbitos por covid-19 nos últimos 60 dias) com melhora do cenário epidemiológico.

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