Confira trechos do inquérito que indiciou Jairinho e mãe de Henry pela morte do menino

Paolla Serra
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A Polícia Civil do Rio encerrou nesta segunda-feira as investigações sobre a morte do menino Henry Borel, morto aos quatro anos no dia 8 de março. O EXTRA teve acesso às 110 páginas do inquérito sobre o caso. No documento, constam os depoimentos da mãe do menino, Monique Medeiros, e do vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), que foram presos e indiciados pelo crime de homicídio duplamente qualificado, com emprego de tortura e impossibilidade de defesa do menino. Também consta a fala da babá de Henry, Thayna de Oliveira que chegou a mudar a versão e relatar agressões de Jairinho contra a criança.

Veja a seguir os principais trechos do documento:

Monique Medeiros disse à Polícia Civil que Jairinho e Henry tinham "boa relação" e até "brincavam juntos ocasionalmente".

A mãe do menino Henry afirmou em depoimento que ela e o vereador "estão juntos e pretendem passar por isso unidos”.

Em seu primeiro depoimento à polícia, a babá de Henry, Thayna Oliveira, contou que não percebeu "nada de anormal" na relação entre o casal e o menino.

Os investigadores conseguiram resgatar mensagens da babá de Henry à mãe do menino, em que ela relatava preocupação com um episódio de violência de Jairinho contra Henry. "Restou, de forma indubitável, demonstrado um episódio de violência em que Henry, após, estranhamente, ter ficado no quarto do casal a portas fechadas sozinho com Jairinho", afirmaram os investigadores no documento.

Em seu segundo depoimento à Polícia Civil, Thayna admite que "mentiu e omitiu fatos extremamente relevantes" anteriormente.

Segundo o inquérito, "Thayna afirmou, ainda, que a própria MONIQUE disse a ela que: (...) “quando ela fosse depor em sede policial era para ela falar que nunca havia visto nada, que nunca havia ouvido nada e que era para apagar todas as mensagens".

Uma conversa da babá Thayna com seu pai cita agressões de Jairinho contra Monique Medeiros e uma discussão em que a mãe de Henry ameaça prejudicar o vereador "caso ele não ficasse pagando as coisas dela".

De acordo com os investigadores, a mãe de Henry tinha "plena ciência das agressões" contra o menino, o que foi demonstrado pelas conversas em aplicativos de mensagens obtidas pela perícia.

"O crime tratado nestes autos é dotado de gigantesca brutalidade, a ponto de ter causado grande comoção nacional", dizem os investigadores. Segundo eles, "houve interferência em depoimentos e coação de testemunhas", além da tentativa do casal indiciado de não ser encontrado pela polícia.