Conflitos no campo vitimaram 19 pessoas em 2022, diz Pastoral da Terra

Conflitos no campo: algumas vítima combatiam o garimpo ilegal em terras indígenas. (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)
Conflitos no campo: algumas vítima combatiam o garimpo ilegal em terras indígenas. (Foto: REUTERS/Bruno Kelly)
  • Em todo anos de 2021, foram 35 assassinatos

  • Coordenador culpa governo federal por desarticular a fiscalização

  • Conflito no campo vitimou ambientalistas, sem terra, indígenas e quilombolas

Só nos cinco primeiros meses de 2022, 19 pessoas foram mortas em meio a conflitos no campo no Brasil, de acordo com um relatório preliminar do Centro de Documentação da Comissão Pastoral da Terra (Cedoc-CPT).

Para se ter uma ideia, em 2021 foram 35 assassinatos. Os novos números não computam as mortes de Bruna Pereira e Dom Phillips.

As 19 mortes foram de 3 ambientalistas e um sem terra no Pará, com o maior número de casos; cinco indígenas; dois quilombolas; outros quatro sem terra, dois assentados e dois pequenos proprietários rurais.

Um dos coordenadores nacionais da CPT, Carlos Lima, afirma que há uma tendência de aumento dos números. Entre as causa, ele elenca erros do governo federal na fiscalização de conflitos por terra, que leva a uma garantia de impunidade aos criminosos.

"É preciso compreender essa violência que estamos vivendo dentro de um contexto de um governo que fez a opção de colocar o Estado a serviço da grilagem, do garimpo ilegal, da extração de madeira. Um Estado contrário à vida dos povos, das comunidades e das florestas", afirmou ao portal G1.

"É impossível continuar vivendo com essa situação. A sociedade brasileira tem que agir de imediato e cobrar a defesa das comunidades [...]. Crimes contra os indígenas, contra as lideranças, contra os ambientalistas precisam ser punidos exemplarmente", completa.

Vítimas do Pará

No Pará, criminosos mataram um família de ambientalistas, que viviam em São Félix do Xingu, no sudeste do estado. José Gomes, conhecido como Zé do Lago, a mulher Márcia Nunes Lisboa e a filha Joene Nunes Lisboa foram assassinados a tiros, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF).

O casal, que vivia há mais de 20 anos no local, realizava um projeto de preservação de quelônios, um tipo de tartaruga. O MPF reconheceu, à época, que se tratava de mais um dos constantes ataques a ambientalistas e defensores dos direitos humanos no país.

Indígenas assassinados

Três dos indígenas mortos este ano eram da Terra Indígenas Yanomami, a maior reserva brasileira, localizada entre Amazonas e Roraima. O crime ocorreu em 11 de abril, quando foi noticiado que indígenas morreram em conflitos armados, e 25 de abril, quando uma menina de 12 anos foi estuprada e morta por garimpeiros. A CPT não confirmou essas informações.

Na época, o conselheiro do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, relatou que, no dia 11, o conflito começou após garimpeiros darem armas a indígenas favoráveis à exploração.

Os outros indígenas que aparecem no relatório são Alex Recarte Vasques Lopes, morto em Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul, e Eliseu Kanela, do povo Kanela do Araguaia, no Mato Grosso.

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