Conforme guerra na Ucrânia entra no 2º ano, apoio dos EUA pode durar?

Biden e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, se cumprimentam em encontro em Kiev

Por Simon Lewis e Patricia Zengerle e Humeyra Pamuk

WASHINGTON (Reuters) - O presidente norte-americano, Joe Biden, enfatizou dramaticamente o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia nesta semana com uma viagem ao país devastado pela guerra, mas em casa o apoio público ao envio de armas para a Ucrânia está diminuindo à medida que o conflito entra em seu segundo ano sem um fim à vista.

O apoio dos norte-americanos ao fornecimento de ajuda militar à Ucrânia caiu para 58%, de acordo com uma nova pesquisa da Reuters/Ipsos com mais de 4.000 norte-americanos, realizada de 6 a 13 de fevereiro, uma queda em relação aos 73% que disseram apoiar a transferência de armas em uma pesquisa de abril de 2022.

Os sinais de enfraquecimento do entusiasmo vêm em um momento difícil na política dos EUA que pode restringir a capacidade de Biden de cumprir plenamente sua promessa de um apoio inabalável dos EUA enquanto as tropas russas estiverem em solo ucraniano.

Os republicanos estão em um impasse com a Casa Branca sobre o aumento do teto da dívida - que limita quanto dinheiro os EUA podem tomar emprestado. Eles estão exigindo cortes drásticos de gastos para controlar o déficit em um momento em que os EUA estão injetando bilhões de dólares em ajuda militar e outros auxílios para a Ucrânia. Vários parlamentares republicanos aliados ao ex-presidente Donald Trump têm pedido restrições à assistência.

A ajuda pode se tornar um tema de debate na campanha presidencial de 2024, que já está em andamento. O governador da Flórida, Ron DeSantis, que deve buscar a indicação presidencial republicana, criticou nesta semana o que ele chamou de política de "cheque em branco" de Biden em relação à Ucrânia.

Por enquanto, os líderes republicanos no Congresso, que se opõem fortemente a Biden na maioria das questões políticas, apoiam a assistência para a defesa da Ucrânia, inclusive pedindo a Washington que envie armas mais poderosas e de forma mais rápida. O presidente republicano do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Michael McCaul, disse em uma visita a Kiev na terça-feira que os esforços de Washington estão mudando em direção ao envio de mísseis de longo alcance e caças à Ucrânia.

Mas o partido está dividido em relação à Ucrânia. Republicanos alinhados à direita na Câmara dos Deputados dos EUA apresentaram neste mês uma resolução sobre o que seria uma fadiga da Ucrânia que propõe cortar a assistência, mas ela não tem apoio suficiente para colocar em risco a ajuda no curto prazo.

Apenas 11 parlamentares republicanos dos 222 na Câmara assinaram a resolução. Não muitos, mas Rachel Rizzo, pesquisadora sênior no Centro Europa do Conselho Atlântico, em Washington, alertou que pode ser um erro ignorá-los.

"A influência que esse pequeno grupo tem sobre o partido ainda está para ser vista, mas acho que é algo preocupante para todos nós", disse Rizzo.

O Congresso tem aprovado cada nova parcela de financiamento que o governo Biden solicita desde o início da guerra, com assistência militar e ajuda no valor de 113 bilhões de dólares prometidos à Ucrânia e aos países aliados até agora.

(Reportagem de Simon Lewis, Patricia Zengerle e Humeyra Pamuk; reportage adicional de Jonathan Landay e Steve Holland)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC